País

Embaixada assegura que não enviou dados de ativistas russos a Moscovo

Bandeira da Rússia

Alexander Ogorodnikov / EyeEm

Embaixador diz que os dados dos ativistas foram apagados e fala em questão "minúscula".

O embaixador da Rússia em Portugal, Mikhail Kamynin, afirmou hoje que a embaixada apagou os dados dos manifestantes do protesto contra o governo de Putin realizado em Lisboa, frisando que as informações não foram transmitidas a Moscovo.

"Se fôssemos guardar esses dados, teríamos uma biblioteca de dados. Por isso repito: não os guardámos, não os enviámos a Moscovo, porque isso não interessa, são umas coisas minúsculas que passam", declarou Kamynin.

O embaixador falava no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada, depois de ter sido recebido pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro.

Câmara de Lisboa diz que se trata de um processo "habitual"

A Câmara de Lisboa admitiu esta quinta-feira que enviou os dados dos três organizadores da manifestação em solidariedade com o ativista russo Alexey Navalny, mas garantiu que apenas cumpriu o que está previsto na lei e rejeita qualquer cumplicidade com o regime russo.

Em comunicado enviado às redações, a autarquia adiantou que enviou os dados dos três organizadores do protesto para a PSP e para o local onde iria realizar-se a manifestação, neste caso a embaixada da Rússia. Esclareceu ainda que este é o procedimento geral que é adotado em qualquer manifestação.

Fernando Medina pede desculpa, mas recusa demitir-se

Fernando Medina pediu desculpas pelo envio dos dados dos três ativistas para as autoridades russas. Esta quinta-feira, o presidente da Câmara de Lisboa falou em erro administrativo que não poderia ter acontecido por colocar em risco a vida dos organizadores da manifestação de contra a prisão de Alexei Navalny.

“Quero assumir esse pedido de desculpas público por um erro a todos os sítios lamentável da Câmara de Lisboa, um erro que não podia ter acontecido em que dados de natureza pessoal foram transmitidos para a embaixada”, disse Fernando Medina numa declaração aos jornalistas

O autarca defendeu que o procedimento referente às manifestações é “adequado” no quadro “de um país democrático” e considerou que o erro da Câmara Municipal passou por não ter em conta a natureza do protesto.

“Aqui é que há o erro da Câmara: tratando-se desta manifestação – não se tratou de uma manifestação sobre uma matéria difusa, face a uma entidade de outra natureza, tratava-se deste caso concreto – esta informação não podia e não devia ter sido transmitida”, acrescentou.

Medina não cede a "delírios de oportunismo político"

Fernando Medina recusa demitir-se e diz que não vai ceder a delírios de oportunismo político.

É a resposta do presidente da Câmara Municipal de Lisboa a Francisco Rodrigues dos Santos e Carlos Moedas, que defendem que o socialista não tem condições para continuar à frente da autarquia, depois de ser conhecida a polémica com o envio de dados pessoas de três ativistas à embaixada russa.

Na Câmara de Lisboa, Fernando Medina promete tirar responsabilidades internas, mas fala apenas de reorganização dos serviços.

As reações

Duarte Cordeiro defende ação de Medina e critica acusações "delirantes" de PSD e CDS

O dirigente socialista Duarte Cordeiro considerou hoje que o presidente da Câmara de Lisboa fez o que devia perante "um erro lamentável" de partilha de dados de manifestantes e criticou a atuação política do PSD e CDS-PP.

TIAGO PETINGA

Em declarações à agência Lusa, Duarte Cordeiro, classificou como "delirantes" as acusações sobre uma alegada cumplicidade de Fernando Medina com o regime russo e lembrou que o autarca de Lisboa recebeu na Câmara em março a líder da oposição na Bielorrússia, Svetlana Tikhanouskaia.


PAN repudia partilha de dados com a Rússia e pede "cartão vermelho" a Medina

O PAN repudiou que a Câmara de Lisboa tenha partilhado dados de manifestantes com a embaixada da Rússia e pediu um "cartão vermelho" ao presidente da autarquia, Fernando Medina, nas próximas eleições.

"O PAN - Pessoas-Animais-Natureza repudia o infeliz acontecimento protagonizado pela Câmara Municipal de Lisboa ao entregar os nomes e as moradas de três manifestantes à embaixada russa em Lisboa e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia", refere-se num comunicado.

CDS fala em terrorismo político

O presidente do CDS-PP sustentou esta quinta-feira que a partilha de dados de três ativistas anti-Putin residentes em Portugal entre a Câmara de Lisboa e as autoridades russas "representa um ato de terrorismo político e subserviência".

"A denúncia de manifestantes a Moscovo por Fernando Medina representa um ato de terrorismo político e de subserviência, entregando a cabeça de três pessoas a um Governo que viola os direitos humanos e que mata opositores", destacou o líder do CDS-PP.

PS solidário com Medina, partido critica oportunismo da oposição

Apesar de considerar o caso lamentável, o Partido Socialista está solidário com Fernando Medina e critica aquilo que diz ser o oportunismo e cinismo dos partidos da oposição.

O Governo já anunicou que quer fazer alterações à legislação de 1974 sobre o direito de manifestação.