País

Como Vieira e Bruno Macedo terão desviado 2,5 milhões do Benfica

Alegado esquema de fraude com o negócio de três jogadores.

Pelo menos 2,5 milhões de euros é quanto terá sido desviado do Benfica por Luís Filipe Vieira e pelo agente Bruno Macedo com o negócio de três jogadores: Derlis González, Cláudio Correa e César Martins.

No documento a que a SIC teve acesso, lê-se que os pagamentos foram feitos de forma "excessiva e indevida".

A ajuda do filho e do advogado

O Ministério Público diz que para as operações financeiras, Vieira contou com o filho Tiago Vieira e Bruno Macedo. O advogado, natural de Braga, que tinha entrado no mundo do futebol através do Sporting de Braga, é suspeito de usar estruturas societárias para benefício próprio e de Vieira.

Em Portugal, terão sido usadas a BM Consulting e a Yes Sports. No estrangeiro, a Astro Sports Management, a Master International, a International Sports Fund e a Trade In, registadas nos Estados Unidos da América, nos Emirados Árabes Unidos e na Tunísia.

A Trade In, por exemplo, terá servido para desviar dos cofres do Benfica verbas relacionadas com a aquisição do jogador brasileiro César Martins.

Já a Master International terá sido usada para alocar as mais valias da venda de direitos económicos de dois outros jogadores: Derlis González e Cláudio Correa. Milhões de euros que deviam ter entrado nas contas do Benfica, o que nunca chegou a acontecer.

Como funcionava a alegada rede

Bruno Macedo disponibilizava as empresas e Vieira os meios financeiros do Benfica. Os dois terão acordado que o clube trataria da contratação e venda de jogadores através de Macedo que, assim, podia canalizar dinheiro para sociedades com o controlo direto ou indirecto de Vieira.

Por exemplo, em dezembro de 2015 e março de 2016, a sociedade Springlabyrinth de Bruno Macedo terá sido usada para receber 830 mil euros que vieram da International Sports Fund. Com esse dinheiro, a Springlabyrinth comprou imóveis de sociedades do grupo de Luís Filipe Vieira no Algarve, em Rio Maior, e em Santo António dos Cavaleiros.

Sociedades onde Tiago Vieira, o filho de Luís Filipe Vieira, é administrador e podia movimentar as contas de acordo com as indicações do pai.

Para além do Benfica, os alegados esquemas de fraude de Vieira envolvem também prejuízos ao ex-Grupo Espírito Santo, ao atual Novo Banco e ao Estado português.