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As memórias da vida de Otelo Saraiva de Carvalho por quem o conheceu

Quando se juntou aos militares que conspiravam contra o regime, Otelo facilmente se tornou líder.

Otelo Saraiva de Carvalho marcou os últimos 50 anos da história portuguesa. Foi o estratega do 25 de Abril, candidato presidencial, fundou um partido, esteve preso por duas vezes, uma em 75, a outra nos anos 80.

Conquistou os militares pela forma como os tratava, foi cerebral e tranquilo no dia da Revolução, gostou do palco mediático que ela lhe deu.

MORREU OTELO SARAIVA DE CARVALHO

Nascido em 31 de agosto de 1936, em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho fez carreira militar desde os anos 1960 até ao pós-25 de Abril de 1974, incluindo uma comissão, durante a guerra colonial, na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola.

No Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratega do 25 de Abril. Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente), durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por dezenas de atentados e 14 mortos, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado cinco anos depois, uma decisão que levantou muita polémica na altura.

O corpo de Otelo Saraiva de Carvalho será velado na Igreja da Academia Militar (Lisboa), na terça-feira, e cremado no dia seguinte, quarta-feira.