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Manter Marta Temido mais 15 dias é "quase humilhante"

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Bernardo Ferrão analisa o futuro do Ministério da Saúde depois do anúncio de demissão.

A ministra da Saúde, Marta Temido, apresentou a demissão na madrugada desta terça-feira. Bernardo Ferrão, diretor-adjunto da SIC Notícias considera que a decisão “não tem absolutamente nada” de inesperada e sublinha que é preciso “repensar a gestão do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

O próprio António Costa diz que ‘desta vez’ aceitou a demissão da ministra Marta Temido. Isso deixa claríssimo que a ministra já antes tinha pedido a sua demissão, ou seja, já antes sentia que estava num lugar que não era o seu, sentia-se cada vez mais fragilizada”, afirma o jornalista sublinhando que essa fragilidade já vinha a ser notória em vários episódios.

Quanto à decisão do primeiro-ministro manter Marta Temido no cargo durante mais 15 dias, Bernardo Ferrão considera ser uma opção “quase humilhante para a ministra da Saúde”.

Marta Temido, à uma da manhã, anuncia que vai sair. Estava mesmo com muita vontade de sair – não só porque já o tinha pedido, mas a forma como o anuncia: à uma da manhã anuncia que quer sair do Governo. E António Costa diz que a ministra tem de ficar mais 15 dias para resolver as questões que têm de resolver? Não me parece que faça nenhum sentido.

Bernardo Ferrão questiona se a saída de Marta Temido não terá “apanhado António Costa de surpresa” e, por isso, o primeiro-ministro “precisa de tempo para reagir e para arranjar alguma solução”.

Para o futuro do Ministério da Saúde, o diretor-adjunto da SIC Notícias só vê dois caminhos: a continuidade ou a mudança, ou seja, António Lacerda Sales – o atual número dois da ministra também apresentou a sua demissão esta terça-feira – ou Fernando Araújo – antigo secretário de Estado da Saúde que tem sido muito crítico à gestão de Marta Temido e à governação de António Costa.

Pode haver aqui uma terceira via, mas os dois nomes mais falados neste momento são estes: ou é António Lacerda Sales, a continuidade, ou é Fernando Araújo, o nome que se fala mais nos corredores e nos bastidores do Ministério da Saúde.

Bernardo Ferrão defende ainda que António Costa deveria fazer cumprir o mote que avançou anteriormente, de “um Governo do PS que sempre se assumiu o pai e a mãe do SNS”, e apresentar “uma política concreta, com horizonte, estratégia, para salvar o SNS”.

Essa política não se faz de continuidade. Eu sei que António Costa não gosta a palavra reforma. Não é só atirar dinheiro, essa política faz-se repensando a gestão do SNS. É isso que estão a dizer todos os profissionais que trabalham neste setor tão fundamental para os portugueses e que, neste momento, não dá resposta ao país – ou dá uma resposta muito mais fraca do que a que poderia dar.

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