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Buscas Novo Banco: venda da Herdade da Ferraria é um dos negócios suspeitos

O Novo Banco e a consultora KPMG foram alvo de buscas da Polícia Judiciária. As autoridades suspeitam de vendas de ativos imobiliários abaixo do valor de mercado,com prejuízo para o banco e para o Estado. Um dos negócios suspeitos é o da venda da Herdade da Ferraria, na margem sul do Tejo.

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Há pelo menos três anos, que a venda dos 270 hectares da Herdade da Ferraria com acesso privilegiado à praia do Meco, em Sesimbra, está na mira da justiça.

João Brito e Cunha, banqueiro e empresário, com ligações de sangue à família Espírito Santo, apresentou uma ação por entender que o negócio, em 2022, foi feito ao desbarato e à margem da lei.

Além disso, considera que tinha o direito de preferência sobre os terrenos na margem sul do Tejo por ter outra propriedade contígua, mas esse direito, diz, nunca foi respeitado.

Brito e Cunha acabou por ser ultrapassado no processo de venda e o negócio foi, há três anos, parar às mãos de três investidores - Vasco Pereira Coutinho, Álvaro Fernández e Alexandre Tilmant -, em troca de 1,5 milhões de euros, valor considerado abaixo de todas as avaliações.

E, em 2024, entra um novo investidor: Ana Flor Argos, mulher de Volkert Reig Schmidt então líder da sociedade de gestão de ativos do Novo Banco. Adquiriu 25% do negócio por 400 mil euros, levantando fortes suspeitas de ilegalidades relacionadas com eventual conflito de interesses.

A venda da Herdade da Ferraria como rústica e devoluta, apesar de ter uma capacidade edificatória de 50 mil metros quadrados e de cinco mil para habitação própria, conforme revelou o jornal Público, e ainda a comercialização de outras propriedades em Sesimbra, integradas no projeto Greenwoods, estão no centro da investigação do Ministério Público (MP).

E, esta quarta-feira, mais de 100 operacionais da Polícia Judiciária, 14 magistrados do MP, três juízes de instrução varreram a sede do Novo Banco à procura de provas.

Foram também a sociedades de advogados, empresas de contabilidade, consultoras como a KPMG e a residencias particulares.

As autoridades consideram que houve avultados prejuízos para o Estado, uma vez que foi usado dinheiro dos contribuintes para salvar a instituição e parte dos ativos, agora investigados pode ter sido vendida ao desbarato.

Suspeita-se de crimes de corrupção ativa e passiva, burla qualificada e branqueamento de capitais.