A Polícia Judiciária realizou esta quarta-feira buscas na sede do Novo Banco e nas instalações da consultora KPMG, em Lisboa, num inquérito que investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva.
Em comunicado, a PJ diz que a operação, intitulada 'Haircut', visa a execução de "dezenas de mandados de busca e apreensão e de pesquisa informática, em que se investigam factos suscetíveis de consubstanciar a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa no setor privado, burla qualificada e branqueamento".
Porquê 'haircut'?
Não é por acaso que a operação se chama haircut, ou corte de cabelo. Vamos perceber o que está em causa nesta investigação.
Haircut, que em inglês significa "corte de cabelo", é uma expressão usada no meio financeiro para designar um mecanismo legal que permite aos bancos vender créditos de cobrança difícil, terrenos e imóveis abaixo do valor de mercado.
Trata-se de um expediente legal que o Novo Banco utilizou, e do qual, ao que tudo indica, terá abusado, desde que foi adquirido pelo fundo Lone Star, em 2017. Essa prática terá originado prejuízos superiores ao que seria razoável.
As práticas ilícitas em causa terão ocorrido durante os mandatos de António Ramalho e Mark Bourke, numa altura em que o banco recebia sucessivas injecções financeiras do Estado português, num total que, ao longo de oito anos, atingiu 3,5 mil milhões de euros.