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Pico da gripe sem reforço de ambulâncias preocupa bombeiros

Por esta altura, no ano passado, já os bombeiros preparavam uma resposta mais rápida para a sobrecarga esperada no inverno, na época gripal. Um dispositivo de emergência pré-hospitalar de uma centena de ambulâncias, que até agora não voltou a ser pedido pelo Governo, e que, para a Liga dos Bombeiros, pode provocar constrangimentos no transporte dos doentes às urgências dos hospitais.

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O presidente da Liga dos Bombeiros alerta para problemas que podem surgir no transporte de doentes durante o pico da gripe. Ao contrário do ano passado, o Governo não pediu o reforço de 100 ambulâncias. António Nunes diz que é uma falha no planeamento e que espera que sejam assumidas responsabilidades, caso haja constrangimentos.

“Se o ano passado houve surto de gripe, tivemos 100 a mais e agora não temos esse reforço... isso pode criar problemas. Esperamos que, no final, quando houver necessidade de mobilização adicional dos bombeiros, não nos venham pedir na véspera", disse o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes

A Liga dos Bombeiros acusa o Governo de estar a falhar no planeamento.

“Uma situação é emergência não programada, outra é saber que vai haver acréscimo daqui a 15 dias e não se planear a situação adequadamente. Criámos, no ano passado, um dispositivo especial que funcionou bem. Este ano não foi essa a opção. Quando chegar a altura, cá estaremos para avaliar se estão a exigir de nós o que não deram antes", apontou António Nunes.

Sobre as recomendações feitas pela comissão técnica independente, criada para refundar o INEM a pedido do Governo, a Liga dos Bombeiros lamenta não ter sido ouvida sobre o socorro e transporte de doentes em urgência, que pode passar em exclusivo para as mãos dos bombeiros e entidades privadas.

Lembra que já responde a 90% dos pedidos de ajuda. Diz estar alinhada com o presidente do INEM, mas contesta a hipótese de abrir a porta a privados.

“Preocupa-nos que não seja dito claramente que o sistema de emergência pré-hospitalar em Portugal deve ser garantido por meios do Estado ou dos bombeiros. Quando isso não se esclarece, pode haver a tentação de importar modelos da Europa que não servem os interesses orçamentais do Ministério da Saúde e que podem acarretar o encerramento de corpos de bombeiros", disse o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.

São propostas ainda em análise e discussão, no âmbito do plano de refundação do INEM.

A Liga dos Bombeiros Portugueses diz que sairá do Conselho Nacional, a decorrer, este sábado, em Felgueiras, uma deliberação para pedir uma audiência de esclarecimentos, com máxima urgência, à ministra da Saúde e ao Presidente da República.