O PCP criticou esta quinta-feira o Governo por não ter decretado mais cedo a situação de calamidade na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin, considerando que era uma decisão óbvia dada a dimensão dos prejuízos.
Em declarações aos jornalistas no parlamento, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo defendeu que "era bom" que o Governo associasse ao decreto de situação de calamidade "medidas concretas para intervir em torno de questões mais urgentes", como a falta de água, eletricidade e comunicações.
"O primeiro-ministro, há pouco, com um certo cuidado e compreende-se, disse que não tinha uma data para indicar como previsão de solução dessas questões, compreende-se porquê, mas temos que ir mais longe, as populações estão à espera, precisam disso, precisam disso. E este é o momento para recorrer a tudo aquilo e mobilizar todos os meios e todos os esforços para responder às questões fundamentais", considerou.
Paulo Raimundo lamentou a demora e hesitação do Governo em declarar a situação de calamidade, argumentando que "estava à vista de todos e a cada hora que passava ia-se tornando mais evidente de que era necessário" avançar com essa decisão.
O líder do PCP salientou também que, embora agora estejam disponíveis mais instrumentos para o Governo, a situação de calamidade "não resolve tudo", reiterando que é preciso responder às populações que "estão justamente assustadas e angustiadas" e valorizando o papel do poder autárquico e da proteção civil e bombeiros para responder aos problemas.
Situação de calamidade até dia 1 de fevereiro
O Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira de manhã e decidiu "decretar a situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin", segundo uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro.
Esta tarde, o primeiro-ministro disse que o Governo está a estudar as formas de financiamento e mecanismos para apoiar a reconstrução das zonas afetadas pelo mau tempo, assegurando que as populações terão ajudas.
Pelo menos seis pessoas morreram em consequência da passagem da depressão Kristin por Portugal continental, que deixou um rastro de destruição e causou feridos e desalojados.
Os distritos mais afetados foram Leiria, por onde a depressão entrou no território continental, Coimbra, Santarém e Lisboa.
A tempestade provocou quedas de árvores e de estruturas, o corte e o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações.
Com LUSA