Mobi Boom

“Nos países ricos, a recolha de dados nas cidades é vista como um investimento. Cá é um gasto, pinta-se um passeio e é esse o investimento”

No novo episódio do Mobi Boom, Nuno Lavrador, da Eco-Counter, explica como a contagem de peões e ciclistas ajuda cidades e autarquias a tomar melhores decisões e avaliar investimentos mais sustentáveis.“Os dados não tomam decisões, mas dão informação essencial". Oiça aqui o podcast de mobilidade do Expresso

Na área da mobilidade, os dados recolhidos nas cidades são cada vez mais importantes. E é a partir deles que se desenha, cada vez mais, as decisões do futuro. Nuno Lavrador, responsável em Portugal pela Eco-Counter, empresa pioneira na monitorização de fluxos de mobilidade, explica como a recolha e análise de dados está a mudar a forma como se pensa e se investe em infraestruturas para peões, ciclistas e outros modos suaves.

“Quando se gastam milhões numa rede de ciclovias ou percursos pedestres, é fundamental perceber se há visitantes, qual o custo por utilizador, se a tendência é de crescimento ou de declínio”, sublinha Lavrador.

Os sensores da Eco-Counter, instalados em pontos estratégicos, permitem medir não só o número de utilizadores, mas também distinguir entre peões, ciclistas, trotinetes e até veículos. Ou seja, o fluxo de mobilidade é completamente mapeado.

A utilidade destes dados vai muito além da mera contagem. Servem para avaliar o impacto de investimentos públicos, ajustar operações como a recolha de lixo ou a segurança, e, sobretudo, comunicar com os cidadãos.


Mas será que os decisores políticos usam estes dados para fundamentar as suas escolhas? “Há de tudo”, admite Lavrador. “Há municípios que trabalham bem os dados e os comunicam aos cidadãos, mas também há quem os use apenas para cumprir requisitos de projetos europeus.” Ainda assim, a tendência é clara: “Os dados ajudam a perceber se o caminho para uma cidade mais dinâmica, sustentável e inclusiva está a resultar.”

A surpresa é frequente quando os números reais são apresentados. “Normalmente, as pessoas subestimam o número de utilizadores. Os dados objetivos desmontam perceções e permitem decisões mais informadas”, diz. E não se trata apenas de contar: a tecnologia já permite recolher dados qualitativos, como género, idade ou tipo de bicicleta, e até analisar quase-acidentes em pontos críticos, recorrendo a inteligência artificial.



Portugal, reconhece Lavrador, ainda está atrás de países como França, Alemanha ou Espanha, onde há cidades de referência internacional em mobilidade ativa. “Aqui, muitas vezes, o investimento é visto como gasto, não como oportunidade”, lamenta. Mas há potencial: cidades como Aveiro ou Viana do Castelo poderiam ser laboratórios de boas práticas.


A forma como nos movemos define como vivemos. Mobi Boom é um podcast semanal sobre mobilidade, inovação e qualidade de vida nas cidades. Dos carros elétricos aos bairros inteligentes, exploramos as ideias, tecnologias e tendências que estão a transformar a malha urbana e a nossa qualidade de vida. Se acredita em cidades mais verdes, humanas e práticas, este podcast é para si. Novo episódio todos os domingos.

Mobi Boom é um podcast Expresso, com produção Tale House, e a primeira temporada tem o apoio da Kinto.

* A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa

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