No Último Episódio

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Rita Camarneiro sobre “Monstro: A História de Ed Gein”: “Muitos criminosos portugueses davam boas séries da Netflix”

No novo episódio de “No Último Episódio”, José Paiva Capucho convida a radialista Rita Camarneiro para falar sobre psicopatas norte-americanos. O terceiro capítulo dos “Monstros” da Netflix, produção com o dedo de Ryan Murphy, traz-nos um senhor que adorava profanar cadáveres e tinha uma relação difícil com o universo feminino. Mas será que já não chega de séries destas com tanta violência gráfica no mundo?

Há muito tempo que o streaming decidiu que contar histórias de verdadeiros monstros humanos valia todo o dinheiro. Quer fosse em documentário (o chamado true crime) ou em série. O mega produtor, escritor e jornalista Ryan Murphy percebeu esse apetite pelo horror e violência gráfica e decidiu, a partir de 2011, começar a trazer as piores versões humanas dos americanos com “American Horror Story”. Seguiu-se agora, e já no terceiro capítulo, os “Monstros” da Netflix.

Houve Jeffrey Dahmer, que atraía as suas vítimas masculinas e fazia-lhes de tudo um pouco. Os irmãos Menendez, que mataram os pais depois de terem sido abusados sexual e psicologicamente durante demasiado tempo. E agora Ed Gein, homem conturbado, ostracizado pela mãe, vidrado nos horrores do Holocausto, que se “divertia” a profanar cadáveres, a “despir-lhes” e a “vestir” as suas peles e que matou duas mulheres nos anos 50. É o motivo de conversa no novo episódio de “No Último Episódio”, onde o crítico de cinema e televisão José Paiva Capucho convidou a radialista Rita Camarneiro para perceber se, nos dias de hoje, ainda faz sentido consumirmos este tipo de ficção.

José Fonseca Fernandes

A resposta não é fácil de dar nem era possível ficar fechada apenas entre duas pessoas. Para Rita Camarneiro, que já chegou a fazer um podcast para a AMC Crime, “Dominó”, sobre criminosos portugueses, só há um caminho suportável para continuar a ver este tipo de conteúdos: “Se seguirmos as histórias das vítimas e não dos abusadores, criminosos, psicopatas”.

No caso de Ed Gein, que tem sido criticado internacionalmente por se ausentar de qualquer sentido de moralidade — tem que ter? — é notório que a produção netflixiana quis estabelecer uma causa-efeito entre o fanatismo religioso da sua mãe e as consequências dessa educação. Ainda assim, fica difícil empatizar com alguém que se “enamorou” pelos horrores do Holocausto e daquilo que Ilsa Koch fazia aos cadáveres dos judeus na II Guerra Mundial. “É que o que vemos nesta série é mesmo horripilante”, argumenta Rita Camarneiro.

José Fonseca Fernandes
E num mundo cada vez mais violento, com mais guerra, e com mais imagens que chocam, será que séries como esta ainda servem o seu propósito de avisar o mundo da nossa própria maldade? Alfred Hitchcock, que se inspirou em Ed Gein para criar Norman Bates em “Psycho”, acreditava que era preciso mostrar esse horror na grande tela. Mas agora, a ficção e a realidade confundem-se.

Quantas vezes já quis saber mais sobre “aquele” último episódio? Encontrar respostas que criam mais perguntas e só o deixam a pensar quando é que estreia o próximo capítulo?

Em “No Último Episódio”, José Paiva Capucho não traz garantia nenhuma de tranquilizar os fãs de séries. Vem para se juntar à festa.

Traz histórias de bastidores, críticas do público vs críticas dos críticos e análises de cenas.

Tudo isto num podcast que se vai dedicar à melhor televisão nacional e internacional do ano.

‘No Último Episódio’ vai para o ar todas as sextas-feiras no Expresso e em todas as plataformas de podcast. Oiça aqui o trailer da segunda temporada.

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