A luta diária para tirar um adolescente da cama antes das 7h00 pode não ser apenas um desafio familiar. É, segundo especialistas, uma batalha perdida à partida. O motivo? O relógio biológico dos jovens está desfasado das exigências escolares. O especialista em sono Albert Lachman explica que a culpa não é dos jovens.
"Quando lhes dizemos à noite que está na hora de dormir, o relógio interno diz-lhes que ainda é de tarde. E, de manhã, quando dizemos é hora de acordar, o corpo deles acha que ainda é meio da noite."
Apesar desta realidade fisiológica, a maioria das escolas exige a presença dos alunos entre as 8h00 e as 8h30. Um horário que, afirmam especialistas em educação, contraria o funcionamento natural do cérebro adolescente. Bernard Hubien, secretário‑geral da UFAPEC, a União Francófona das Associações de Pais defende que a escola devia começar mais tarde.
"Os cérebros dos adolescentes não estão disponíveis às 8h30 para aprender matemática, por exemplo. É apenas na segunda parte da manhã que o cérebro está realmente mais apto para aprender."
A recomendação de vários especialistas converge num ponto: idealmente, não deveria haver aulas antes das 9h00. O problema agrava‑se porque, ao contrário do que se pensa, os adolescentes continuam a necessitar de mais de 10 horas de sono por noite, valores semelhantes aos das crianças.
O resultado é uma dívida de sono prolongada que pode ter impacto real no desempenho escolar e na saúde emocional. Um adolescente cansado pode tentar ignorar os sinais, mas o efeito é mensurável.
"Os adolescentes dirão 'não me importa', mas o fracasso e a falta de envolvimento na aprendizagem levam a uma diminuição da autoconfiança e da autoimagem."
A privação de sono está associada a menor capacidade de atenção, menor memória de trabalho e maior irritabilidade, fatores que se refletem no comportamento e nas notas. Em alguns países nórdicos, nomeadamente na Finlândia, referência global em educação, os horários escolares foram ajustados ao ritmo natural dos adolescentes.
