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Cinco verdades e mentiras do debate entre Seguro e Ventura na corrida a Belém

Foi o debate decisivo na corrida à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa: António José Seguro contra André Ventura. Das pensões dos idosos em Portugal aos internamentos indevidos nos hospitais, ou ainda os prémios Camões que apoiam Seguro. O que é verdade e o que é mentira? A SIC Verifica.

Cinco verdades e mentiras do debate entre Seguro e Ventura na corrida a Belém

Concluído o único debate entre os dois candidatos presidenciais, é tempo de fazer o balanço do que foi dito. Num frente-a-frente renhido entre André Ventura e António José Seguro, analisamos cinco alegações dos adversários políticos nesta segunda volta.

António José Seguro afirmou que "nos hospitais portugueses há 2.850 pessoas que têm alta clínica, mas que, por diversas razões, não saem do hospital".

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Os dados que Seguro apontou já tinham sido confirmados por Álvaro Almeida, diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), há pouco mais de um mês. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, também mencionou a existência de mais de 1.200 casos sociais, ou seja, pacientes que já receberam alta clínica. Estes permanecem internados por não haver alternativas fora do hospital, indicou ainda.

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Ventura lembrou, no debate desta terça-feira, que, em tempos, Aníbal Cavaco Silva considerou Seguro um homem sem "capacidade de liderança".

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O ex-Presidente da República disse, no livro de memórias "Quinta-feira e outros dias", que Seguro era um líder "que, perante os problemas, se revela inseguro, medroso e sem capacidade de liderança”.

Estas afirmações foram feitas à luz do desempenho de António José Seguro como secretário-geral do Partido Socialista. Contudo, no contexto atual, segundo Cavaco Silva, Seguro é um melhor candidato face ao adversário André Ventura para os tempos "de incerteza" que se vivem.

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Para dar um exemplo do porquê de defender uma revisão constitucional, Ventura argumentou com as pensões vitalícias, fazendo o paralelismo com as pensões de velhice de "idosos que trabalharam a vida toda". Garante que só recebem "pouco mais de 280 euros".

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A portaria em vigor define que os montantes mínimos para os "pensionistas de invalidez e de velhice do regime geral" com carreira contributiva inferior a 15 anos são 341,08 euros. Já aqueles com carreiras contributivas de 31 anos ou mais de descontos recebem 493,52 euros.

Ventura diz, especificamente, "idosos que trabalharam a vida toda". Nesse caso, considerando um português com uma carreira contributiva superior a 31 anos, está em causa um montante mínimo de 493,52 euros de pensão de velhice, valor consideravelmente superior ao referido pelo presidente do Chega.

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O debate entre António José Seguro e André Ventura tinha começado há menos de 10 minutos quando o antigo secretário-geral do Partido Socialista 'puxou dos galões' e mencionou dois apoios de peso à sua candidatura.

"Os dois prémios Camões que ainda são vivos apoiam a minha candidatura", disse Seguro.
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Uma afirmação falsa. O candidato que venceu a primeira volta das Presidenciais recebeu efetivamente o apoio público de dois vencedores do Prémio Camões: Hélia Correia e Manuel Alegre. Contudo, outros dois vencedores portugueses do prestigiado galardão, que estão igualmente vivos, não manifestaram qualquer intenção de apoiar publicamente a candidatura presidencial de Seguro: António Lobo Antunes e João Barrento.

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Ventura: “Nos governos em que [António José Seguro] participou foi quando se acentuou mais a diferença salarial entre homens e mulheres”?

A alegação foi feita pelo presidente do Chega, que se referia ao período entre 1995 e 2002, quando António José Seguro desempenhou funções como secretário de Estado do Desporto, secretário de Estado Adjunto e Ministro Adjunto.

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A afirmação não corresponde à verdade, sendo que o período entre 1995 e 2002 inseriu-se inclusivamente numa tendência de longo prazo de redução da disparidade salarial em Portugal. Os dados indicam que a diferença entre os ganhos médios de homens e mulheres, que atingia cerca de 32% em 1991, iniciou uma trajetória de queda gradual ao longo da década de 90, como revela um relatório do Banco de Portugal.

A análise histórica demonstra que o momento de maior acentuação das desigualdades ocorreu, na verdade, entre o meio da década de 80 e meados dos anos 90.

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