Circula desde a última semana uma montagem com a imagem de António José Seguro e um aviso: “Depois não se queixem…”.
Na montagem surge uma citação, que é atribuída ao candidato à Presidência da República, sobre imigração e locais de culto.
“Afirmo e reafirmo que sou a favor de recebermos toda a migração que nos procura pois, somos um povo solidário e não concordo com a ideia de que já há muitas mesquitas pois, muitos crentes dessas religiões precisam dos seus lugares de culto", lê-se na imagem.
Será que Seguro disse mesmo isto?
Não há registo em declarações públicas recentes de António José Seguro a dizer que “devemos receber toda a migração” sem limites ou controlo sobre a mesma.
Aliás, olhando para o que tem sido dito pelo candidato ao longo da campanha, a sua posição relativamente ao tema da imigração manteve-se moderada.
Ainda que assuma que “precisamos de imigrantes para ajudar ao desenvolvimento da nossa economia”, Seguro também afirma que é a favor de uma imigração “organizada” e “controlada”.
António José Seguro tem defendido que o tema deve ser tratado com equilíbrio, dignidade humana e integração de quem trabalha no país, tendo referido, em dezembro, que “precisamos de regularizar o acolhimento e a integração para que as vantagens que decorrem da imigração não se transformem em desvantagens em algumas das suas dimensões”.
Uma pesquisa pela afirmação que lhe é atribuída - ou a variações da mesma - leva apenas a publicações nas redes sociais semelhantes sem que, em nenhum momento, seja referido onde e quando a mesma foi dita.
A frase tem circulado principalmente em páginas de apoio a André Ventura, ao Chega ou em grupos anti-imigração.
A SIC Verifica que é...
A ideia de aceitar “toda a migração que nos procura” não foi proferida por Seguro. A posição pública do candidato presidencial é mais alinhada com uma política de imigração regulada, que reage às necessidades económicas, cumpre regras e respeita a legislação, mas com foco também na integração dos imigrantes.

