A carta aberta “Eu digo não ao socialismo”, criada para a segunda volta das eleições presidenciais, tem circulado intensamente nas redes sociais. No entanto, há quem acuse que, entre os apoiantes, haja nomes falsos, assinaturas satíricas e inconsistências que levantam dúvidas sobre a "seriedade" da iniciativa.
O manifesto surgiu poucos dias depois da divulgação de uma carta subscrita por várias personalidades não-socialistas em apoio a António José Seguro e tem sido amplamente partilhado por apoiantes e deputados do Chega, embora estes afirmem desconhecer quem está por trás da iniciativa.
É verdade que a carta pode ser "assinada dezenas de vezes com nomes falsos"?
No momento em que o SIC Verifica consultou a carta aberta "Eu digo não ao socialismo”, esta já contava com quase 15 mil subscritores. No entanto, o número de assinaturas visíveis é apenas de 3.200, impossibilitando a confirmação da maioria dos signatários.
Na lista estão visíveis nomes de figuras públicas que já negaram, ao Observador, ter assinado o documento, como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ex-líder do CDS Francisco Rodrigues dos Santos.
O nome de Aníbal Cavaco Silva também aparece entre os signatários, mas o ex-Presidente já se manifestou publicamente, afirmando que irá votar em Seguro, que considera uma pessoa "honesta e educada".
Pedro Passos Coelho, por sua vez, também foi listado, apesar de já ter deixado claro que não se pronunciaria nem declararia apoio durante as eleições presidenciais, bem como Manuel João Vieira. O próprio António José Seguro não escapou a esta lista, algo totalmente incoerente com a lógica do manifesto.
Na rede social X, várias pessoas fizeram questão de relatar imensos nomes que parecem pouco prováveis signatários desta carta:
Além disso, a lista inclui registos de cariz claramente satírico ou provocatório, com assinaturas que incluem variações do nome de André Ventura, referências a personalidades da indústria pornográfica ou profissões manifestamente irónicas. Existem ainda assinaturas repetidas e muitas entradas que apresentam apenas um nome próprio ou alcunha, o que dificulta qualquer verificação.
Embora o sistema de assinatura inclua um aviso legal a alertar para a proibição do uso de dados de terceiros, não existe qualquer mecanismo que impeça a introdução de nomes falsos ou garanta a autenticidade das informações prestadas. Para subscrever a carta, é apenas exigido o nome (não sendo obrigatório indicar o nome completo ou sequer um apelido) e a profissão. Quanto ao endereço de email, é opcional, o que facilita ainda mais a introdução de dados não verificáveis.
A SIC Verifica que é...
A carta aberta "Eu digo não ao socialismo" apresenta nomes falsos e assinaturas satíricas, o que levanta dúvidas sobre a sua credibilidade. A lista inclui figuras públicas que negaram ter assinado, como Marcelo Rebelo de Sousa e Francisco Rodrigues dos Santos, além de assinaturas provocatórias, como o próprio António José Seguro. O sistema de assinatura permite o uso de nomes incompletos e não exige número do Bilhete de Identidade (BI) ou Cartão de Cidadão, como acontece em petições públicas, facilitando a introdução de dados não verificáveis e comprometendo a autenticidade da iniciativa.

