Economia

Ações de Alfredo Casimiro na Groundforce já estão penhoradas por outro empréstimo

O Governo e a TAP exigiam que as ações do acionista maioritário na Groundforce fossem dadas como garantia do empréstimo.

A Groundforce está em risco de falência. Esta segunda-feira ficou a saber-se que o acionista maioritário, Alfredo Casimiro, tem as ações penhoradas e, por isso, não as pode entregar à TAP como garantia de um empréstimo de emergência. Sem uma solução à vista, e ainda com salários em atraso, os trabalhadores temem pelos postos de trabalho.

Os funcionários da Groundforce realizaram o quarto dia de protesto, desta vez em frente à Assembleia da República. No cenário têm um duro revês nas negociações entre o Ministério das Infraestruturas, a TAP e o empresários Alfredo Casimiro, acionista maioritário através da Pasogal.

Desde novembro que a TAP tem vindo a adiantar dinheiro à empresa de handling, empréstimos que já somam 13 milhões de euros. Admitia emprestar ainda mais dois milhões para pagar os salários de fevereiro. Em contrapartida, o Governo e a TAP exigiam que as ações de Alfredo Casimiro na Groundforce fossem dadas como garantia. Mas o empresário disse que só aceitava na condição de manter o controlo da empresa, mesmo que a garantia fosse executada.

Sabe-se agora que essas ações já estão penhoradas: Casimiro admitiu ao Ministério das Infraestruturas, na noite de sábado, que não as tem porque as deu de penhor de um outro empréstimo. Por isso, não podem ser dadas à TAP como garantia. Esta segunda-feira, em reunião com os representantes dos trabalhadores com o ministro Pedro Nuno Santos, o acionista maioritário disse que a maioria das ações estão num banco, mas não revelou qual, nem onde estão as restantes. Também não disse qual o valor dessas ações.

A nacionalização é uma hipótese em cima da mesa. É uma alternativa a que o Governo evita recorrer porque, logo a seguir, teria de reestruturar a Groundforce e ficar ainda com mais responsabilidades. Pedro Nuno Santos diz que não haverá no futuro qualquer hipótese de a TAP trabalhar com Alfredo Casimiro. Disse ainda que nem o Governo nem a TAP vão emprestar mais dinheiro sem garantias.

Os 2.400 trabalhadores da Groundforce ainda não receberam a totalidade do salário de fevereiro. Até que a situação da empresa se resolva, os funcionários dizem que a luta vai continuar.

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