Economia

Polémica sobre descida do IRC: "Um diz uma coisa, outro diz outra"

Loading...
A análise de José Gomes Ferreira às declarações de António Costa Silva sobre a descida do IRC.

O ministro da Economia, António Costa Silva, deu como praticamente certa a descida transversal do IRC. Mas, recuou depois afirmando que a medida só ficará decidida depois do ministro das Finanças, Fernando Medina, e do primeiro-ministro, António Costa, decidir. Para José Gomes Ferreira, diretor-adjunto da SIC Notícias, esta incerteza afeta as empresas.

“Tudo o que as empresas querem é previsibilidade – saber com o que contam. Perante o que estamos a assistir é tudo menos saber com o que contam. Um diz uma coisa, outro diz outra”, afirma o jornalista na Edição da Tarde, criticando a “leveza com que encaram” a situação.

O jornalista critica a gestão de António Costa que “parece não ter mão num Conselho de Ministros em que todos deviam discutir de porta fechada e depois comunicar”.

“O que vai acontecer neste embate com o ministro das Finanças é que o ministro da Economia vai perder a face: muito provavelmente não vai ser aprovado o corte transversal do IRC no Orçamento de Estado” e António Costa Silva “vai aparecer perante o país como uma pessoa que teve um desejo e não o conseguiu concretizar”. “E se não consegue concretizar um desejo de baixar o IRC, também não consegue, na cabeça das pessoas – e bem –, concretizar o desejo de ter mais dinheiro para distribuir por quem precisa” acrescenta

José Gomes Ferreira lembra que “já houve planos e um acordo entre o PSD e o PS, logo a seguir à saída da troika, para a progressiva redução do IRC”, mas sublinha que essa descida transversão não está referida no programa eleitoral do PS. Em vez disso, está prevista uma baixa seletiva do imposto.

“É certo que a baixa seletiva de IRC que está prevista no programa eleitoral do PS não funciona do ponto de vista macroeconómico. Porque se há uma baixa de 21% para 19%, mais empresas são incentivadas a declarar impostos. Se se mantém nos 21% e é seletiva, então os que apresentavam lucros são os mesmos que vão continuar e não se alarga a base tributável.”

O jornalista da SIC Notícia critica ainda a demora do Governo e da Presidência da República para perceber que a economia mudou. “Ele acordou agora para a realidade. Diria que António Costa teve, há dois ou três meses, o momento “José Sócrates” – de, em 2010, ter percebido que o mundo mudou. António Costa percebeu agora que a economia mudou. É pena, porque nós andamos há dois a alertar.”

“O Presidente da República tem uma responsabilidade adicional: durante anos lhe dissemos para exigir um plano estratégico ao governo para fazer crescer a Economia, porque quando viesse a tempestade não ia ter margem para fazer face às necessidades das empresas e das famílias”, acrescenta. E remata: “Aqui estamos, chegados à situação em que a margem para ajudar as empresas foi a que se viu.”

Últimas Notícias
Mais Vistos