O relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que está a investigar o descarrilamento do Elevador da Glória que vitimou 16 pessoas, constata que o cabo do ascensor “não estava certificado” para transporte de pessoas.
Alexandre Leitão, vereadora eleita por Lisboa, diz à SIC Notícias que “o relatório é de uma gravidade extrema” e tem “um conjunto enorme de falhas gravíssimas”, para além da questão do cabo.
“Como não haver sistemas de qualidade na manutenção, não haver reporte de falhas quando encontradas, a manutenção ser feita a olho nu, falha de informação ao próprio gabinete que está a fazer esta inspeção”, enumera a vereadora do PS.
Alexandra Leitão diz que foi “quebrada uma relação de confiança com os lisboetas” e considera que “não há possibilidade de manutenção, pelo menos, do presidente do conselho de administração da Carris”.
Tragédia "podia ter sido evitada”
A socialista recusa estar a tirar qualquer aproveitamento político do caso e lembra que teve “muito cuidado durante o período eleitoral”, antes das eleições autárquicas que perdeu para Carlos Moedas.
“Este gravíssimo acidente podia ter sido evitado se não tivesse havido descuido e negligencia (…) A partir do momento que há um acidente com 16 mortes e 20 feridos num equipamento público, tem que haver esclarecimento, apuramento e efetivação de responsabilidade.”
“Há responsabilidade da Carris e de quem a tutela”
Em declarações à SIC Notícias, o presidente da Câmara de Lisboa referiu que o relatório do GPIAAF "reafirma que a infeliz tragédia do elevador da Glória foi derivada de causas técnicas e não políticas”. Alexandra Leitão discorda da lógica de Carlos Moedas.
“Quando um elevador cai, é sempre uma questão técnica, nunca é um politico que estraga propositadamente o equipamento. Mas a responsabilidade politica não é isso. [Moedas] é o responsável politico, que tem uma empresa municipal que revela falhas gravíssimas de funcionamento, o que justifica a responsabilidade politica", diz Alexandra Leitão, considerando que “há responsabilidade da Carris e de quem a tutela”.
