Coronavírus

Morreu o jovem médico chinês que adiou o casamento para continuar a trabalhar em Wuhan

China Daily CDIC

Numa altura em que a China confirma 500 infetados pelo coronavírus em prisões de 3 províncias diferentes.

Especial Coronavírus

Jovem médico é a última vítima confirmada pelo vírus 2019-nCoV

A notícia da morte de Peng Yinhua foi divulgada ontem pela imprensa chinesa nas redes sociais.

Nas fotos pode ver-se o jovem médico e a noiva já vestidos a preceito, mas são apenas as fotos "pré-casamento" que na China costumam ser tiradas aos noivos antes mesmo da cerimónia. Os convites nunca saíram da secretária do hospital onde o jovem médico, de 29 anos, começou a trabalhar a 25 de janeiro, na unidade de cuidados intensivos e respiratórios do hospital distrital de Jiangxia, em Wuhan.

Cinco dias depois, a 30 de janeiro o seu estado de saúde agravou-se. No dia que deveria ser do seu casamento, a 1 de fevereiro é internado de urgência no hospital de Jinyintan e 20 dias depois morria, vítima da doença que ajudou a travar na província onde surgiu este novo coronavírus.

Mais uma morte que relança a polémica em torno da intensidade da propagção do vírus que já matou o diretor do hospital de Wuhan, no dia em que a China confirma 1,109 novas infeções, contra 394 do dia anterior, alimentando o medo de novas fontes de disseminação.

O balanço final de vítimas foi ainda alterado pela atualização do número de casos nas prisões chinesas.

STRINGER

China reporta 500 infetados pelo coronavírus em diferentes prisões

A China reportou hoje cerca de 500 casos de contaminação pelo coronavírus Covid-19 nas suas prisões, incluindo pelo menos 200 no mesmo estabelecimento prisional, alimentando o medo de novas fontes de disseminação.

Pelo menos 200 detidos e sete guardas da prisão de Rencheng, na cidade de Jining, província de Shandong, nordeste da China, foram infetados com o novo coronavírus, revelaram as autoridades de saúde da província, em conferência de imprensa.

"A implementação de medidas de prevenção e controlo não foi eficaz", admitiu Wu Lei, chefe da administração penitenciária de Shandong.

Xie Weijun, oficial de justiça em Shandong, dois quadros da administração do sistema penitenciário local e cinco funcionários da prisão de Rencheng foram afastados por negligência, revelou o governo da província.

Pelo menos 34 casos de contaminação foram identificados em outra prisão, em Shilifeng, na província de Zhejiang, costa leste da China.

Hubei, província do centro da China de onde é originário o surto, também reportou hoje 271 casos de contaminação nas suas prisões, incluindo 220 casos que não haviam sido identificados pelas autoridades provinciais até à data.

Segundo a imprensa local, 230 casos foram detetados na prisão feminina de Wuhan. Os guardas prisionais foram, entretanto, despedidos, por não terem conseguido conter o contágio.

Hubei registou hoje mais 115 mortes e 631 casos de infeção. No total, o número de infetados na província superou os 60.000, entre os quais 2.144 morreram. As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.

Apesar das medidas drásticas de contenção e das restrições na mobilidade adotadas pelas autoridades, o aumento da contaminação nas prisões suscita receios sobre o surgimento de novos surtos em locais onde estão confinadas muitas pessoas.

A diáspora uigur está também alerta para os riscos de um "contágio maciço" pelo vírus nos centros de internamento em Xinjiang. Organizações denunciam a detenção arbitrária de cerca de um milhão de membros de minorias étnicas chinesas de origem muçulmana na região, situada no extremo noroeste da China.

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