Coronavírus

Presidente da República admite estado de emergência renovado até 16 de abril

NUNO FOX

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

O Presidente da República anunciou hoje que na terça-feira haverá uma nova reunião com responsáveis políticos e especialistas antes de uma decisão sobre o estado de emergência, que admitiu que seja renovado até 16 de abril.

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, questionado se é provável a renovação do estado de emergência, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que antes dessa decisão "haverá uma nova reunião de responsáveis políticos com especialistas, epidemiologistas", na terça-feira, 31 de março, durante a manhã."

E será ponderado, obviamente, por mim, em diálogo com o senhor primeiro-ministro e, portanto, com o Governo, e em diálogo com o parlamento, exatamente o que é necessário para os 14 dias seguintes: se é preciso, além de renovar o estado de emergência, acrescentar mais um ponto ou outro, ou não.

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Essa avaliação será feita com os dados até ao começo da próxima semana, para depois vigorar, se for caso disso, se a Assembleia da República autorizar, até ao dia 16 de abril", afirmou.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

O Presidente da República falava aos jornalistas após um encontro por videoconferência com o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, na qual disse ter sido feito uma análise aos números de hoje de infetados confirmados com o novo coronavírus em Portugal e uma comparação com os números dos últimos dias.

"Pode ser que já haja aqui - pode ser, isso tem de ser dito com alguma precaução - sinais dos efeitos da primeira decisão do encerramento das escolas e depois, porventura em menor escala, mas também de medidas restritivas que apelaram à contenção dos portugueses", observou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "o que é facto é que há uma descida na percentagem de crescimento e que a curva se afastou da curva que era expectável e da curva seguida noutros países".

"Mas é preciso esperar porque dia a dia se vai recolhendo os elementos para verificar se este distanciamento - isto é, o crescimento não ser 40%, não ser sequer 30%, ter sido hoje muito baixo, à volta dos 15% - é constante ou não. Veremos nos próximos dias", acrescentou.

Sem querer abordar diretamente o teor da carta que os bastonários das ordens dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos enviaram ao primeiro-ministro, o chefe de Estado realçou que Miguel Guimarães lhe transmitiu que há "plena disponibilidade" e "capacidade de resposta" dos médicos ao atual surto "mesmo numa situação de pico".

"Este é um combate em que estamos todos unidos", considerou.

No seu entender, o bastonário da Ordem dos Médicos nunca atuou de forma que "fosse alarmista" e "é útil que as ordens profissionais, aqueles que representam os que estão no terreno, vão chamando a atenção para aquilo que inevitavelmente neste tipo de combate surge como inesperado, surge como correndo um pouco menos bem, surge como necessidades adicionais".

"E o facto de as ordens fazerem essa chamada de atenção não é falta de solidariedade nem falta de espírito de unidade, é contributo positivo para irmos melhorando uma resposta que, no fundo, em todos os países, vai tendo de improvisar alguma coisa em função da imprevisibilidade dos acontecimentos", defendeu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 20 mil morreram.

Portugal regista 60 mortes associadas à Covid-19 e 3.544 casos de infeção confirmados, segundo o boletim hoje divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

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