Coronavírus

Pico da segunda vaga já foi atingido. R(t) em 0,99 a nível nacional

Especialistas reuniram-se esta manhã no Infarmed para analisar a situação epidemiológica em Portugal.

Especial Coronavírus

A transmissão na íntegra da reunião no Infarmed com especialistas, dirigentes dos partidos políticos e parceiros sociais a fazer a análise à situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal.

Cerca de 1 milhão de portugueses terão tido contacto com o coronavírus

Henrique Barros, investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), avança que cerca de 1 milhão de portugueses já terão tido contacto com o novo coronavírus.

Processo de avaliação e autorização de vacinas

Ao dia de hoje estão 274 vacinas em desenvolvimento, 11 estão no último estádio de desenvolvimento e 6 estão em avaliação na União Europeia.

"Os estudos dão-nos bastante segurança" nas vacinas que estão na útima fase de ensaios clínicos, garante Fátima Ventura da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

Desenvolvimento e produção de vacinas

António Roldão, do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica iBet, explicou como se produzem vacinas em geral bem como a da Covid-19 em particular. Explicou ainda que só no século XXI se assistiu a cerca de 20 surtos de doenças infeciosas.

O investigador adiantou que, com o aumento da mobilidade das populações, com o aumento da produção animal para consumo, a maior interação entre os seres humanos e os animais e pelas mudanças climáticas é expectável que nos próximos anos, nas próximas décadas, se continue a assistir ao aparecimento de novos surtos de doenças infeciosas já existentes como de novas doenças.

Nesse sentido, António Roldão defendeu ser "imperativo", além de ser "claramente evidente" a necessidade de continuar a fomentar-se o desenvolvimento de processos para a produção de vacinas inovadoras que permitam "cada vez mais ser proativos em vez de ser reativos em termos de vacinas".

Vacinas não vão trazer imunidade igual para todos

A intervenção de João Gonçalves da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa centrou-se na imunidade ao novo coronavírus e na vacina para a Covid-19.

"Não tenham medo dos efeitos adversos das vacinas", aconselha o especialista, explicando que as vacinas contra a Covid-19 acarretam efeitos secundários, como todas as vacinas, mas alguns não só são normais, como até desejáveis, como a febre.

"É muito bom porque é o sistema imunitário está a lutar e a reconhecer aquela vacina como estranha. Portanto, o que eu deixava aqui como orientação para as pessoas lá de casa é que não tenham medo destas reações adversas, porque isso é o vosso sistema imunitário, no fundo, a lutar e a ser educado contra aquela vacina", disse João Gonçalves.

"As indicações são que os dados disponíveis de todas as vacinas que nós temos presentes apenas indicam que os efeitos secundários são os efeitos secundários de uma estimulação do sistema imunitário. Portanto, mais um conselho para as pessoas lá de casa, não tenham medo porque a imunidade não vos vai criar efeitos secundários completamente estranhos na vossa vida", sublinhou.

Para o investigador, é preciso continuar a avaliar a imunidade depois de a vacina estar no mercado.

Sobre a eficácia das vacinas, o especialista alertou que "potencialmente vai haver muita variação de pessoa para pessoa".

No mesmo sentido, a imunidade da vacina será diferente consoante as pessoas. No caso da idade, por exemplo, é espetável que os idosos tenham menos imunidade.

Tendo em conta que a vacina não vai criar essa imunidade igual para todos e que ainda não se sabe quando será criada imunidade de grupo, João Gonçalves deixa um alerta: "O Trabalho de casa ainda não terminou!".

R(t) está em 0,99 a nível nacional

Segundo Baltazar Nunes, do Instituto Ricardo Jorge, a nível nacional "nos últimos 5 dias o R está abaixo de 1. Está neste momento em 0.99".

Pico de contágios entre 12 e 15 de novembro

O epidemiologista Manuel do Carmo Gomes e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa avançou que o pico de contágios terá sido entre 12 e 15 de novembro e reflete já as medidas mais restritivas que foram decretadas pelo Governo.

Transmissibilidade em decréscimo

O especialista Óscar Felgueiras, da Faculdade de Ciências da Univesidade do Porto, esteve a fazer o balanço da situação epidemiológica do país. Avançou que o pico da segunda vaga já terá passado e transmissibilidade do novo coronavírus está em decréscimo.

Pico foi a 25 de novembro

A epidemia de Covid-19 atingiu o pico da sua incidência em Portugal no dia 25 de novembro, verificando-se já uma tendência de descida, disse hoje o investigador André Peralta Santos, da Direção-Geral de saúde.

"Atingiu-se a incidência máxima cumulativa por via de notificação no dia 25 [de novembro] e há já uma tendência de descida que esperemos que seja consolidada nos próximos dias".

Desde a última reunião no Infarmed, há duas semanas, houve um agravamento da situação na semana de 22 de novembro, mas depois na semana de 29 já se observou "um desagravamento da incidência em vários municípios, nomeadamente na região Norte onde apesar de ter incidências ainda muito elevadas há já um decrescimento da incidência", adiantou André Peralta dos Santos.

Na região da Área Metropolitana de Lisboa também já se observa "uma variação de incidência decrescente", o que considerou serem "boas notícias".

Desagregando por região, verifica-se que "a região Norte com incidências muito mais altas, tem já um padrão de descida claro, a região Centro e de Lisboa e Vale do Tejo começam já a esboçar uma tendência de descida", enquanto há outras regiões ainda com uma tendência crescente, nomeadamente o Alentejo e a Região Autónoma dos Açores.

Relativamente às idades, o investigador adiantou há uma tendência de decrescimento em todas as idades.

Desde 04 de agosto, as incidências começam a aumentar nas populações mais ativas, entre os 20 e os 40 anos, e à medida que se vai progredindo no tempo, as incidências começam a aumentar noutros grupos etários, disse, explicando que a "epidemia se espalha através dos grupos etários".

Nesta área, André Peralta realçou "uma boa notícia" e "uma um pouco mais preocupante".

"A boa notícia é que o grupo de 60/70 e 70/80 está relativamente protegido em relação aos outros grupos etários, o grupo mais de 80 [anos] é um grupo que tem maior dependência, maior intensidade de contactos e, por isso, tem ainda uma incidência mais alta".

Relativamente às hospitalizações, o médico e investigador adiantou que apesar de o país já ter "passado o pico das incidências, ainda não há um pico claro nos internamentos", que disse esperar que "esteja para breve".

"Este 'delay' de atingirmos o pico em novos casos e das hospitalizações é esperado, faz parte da evolução natural da doença", explicou.

Por último, a taxa de mortalidade por covid-19 a 14 dias, o indicador que é utilizado pelo Centro Europeu de Controle de Doenças, parece já estar a esboçar-se".

Portugal com 4.645 mortes e 303.846 casos de covid-19

Portugal registou na quarta-feira mais 3.384 casos de infeção e mais 68 mortes associadas à doença covid-19, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde.

Desde o início da pandemia morreram em Portugal 4.645 pessoas dos 303.846 casos de infeção confirmados.

Havia mais 4 doentes internados nas Unidades de Cuidados Intensivos, totalizando 525. Em relação aos internamentos em enfermaria, havia mais 63 pessoas internadas, totalizando 3.338.

O país está em estado de emergência desde 09 de novembro e até 08 de dezembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado.

Durante a semana, o recolher obrigatório tem de ser respeitado entre as 23:00 e as 05:00, enquanto nos fins de semana e feriados a circulação está limitada entre as 13:00 de sábado e as 05:00 de domingo, e entre as 13:00 de domingo e as 05:00 de segunda-feira.

Vacina da Pfizer poderá chegar a Portugal a 1 de janeiro

A vacina contra a covid-19 da Pfizer e BioNTech poderá chegar a Portugal no dia 1 de janeiro de 2021, três dias depois da aprovação da Agência Europeia do Medicamento, que está prevista para 29 de dezembro.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela diretora-médica da Pfizer Portugal, em entrevista à RTP.

Numa primeira fase, está previsto que sejam vacinados 300 mil portugueses.

Mais de 1,48 milhões de mortos e 63,8 milhões de casos no mundo

O novo coronavírus já matou pelo menos 1.482.240 pessoas no mundo e infetou mais de 63.865.770. Pelo menos 40.695.700 pessoas já foram consideradas curadas.

Os países que registaram o maior número de novas mortes em seus relatórios mais recentes são os Estados Unidos com 2.562 novas mortes, México (825) e Itália (785).

Entre os países mais atingidos, a Bélgica é o que tem o maior número de mortes em relação à sua população, com 145 mortes por 100.000 habitantes, seguida pelo Peru (109), Espanha (97) e o Itália (93).

Links úteis

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