Coronavírus

Covid-19. Novo máximo de casos é "uma consequência do Natal"

Dulce Salzedas lembra que o valor divulgado esta quarta-feira pode ser também um acumulado do fim de semana.

Especial Coronavírus

No dia em que Portugal ultrapassou os 10 mil novos casos de covid-19, Dulce Salzedas, jornalista especializada em saúde, explica que este número poderá resultar da redução das restrições durante o Natal e, também, ser um acumulado de casos da última semana.

A jornalista lembra que na passada semana houve um feriado à sexta-feira, o dia de Ano Novo, que pode ter levado a uma diminuição das notificações por parte dos laboratórios. “À quarta e à quinta há uma maior notificação de casos”, sublinha Dulce Salzedas.

“Estes 10 mil representam duas coisas: o aumento do número de casos que tem a ver com o Natal e também o aumento de número de casos que tem a ver casos que ficaram acumulados, que não foram notificados e que começaram agora a ser notificados”

Nos próximos dias o número de novos casos poderá “manter-se altos ou subirem mais um bocadinho”, avança a jornalista lembrando que as restrições de passagem de ano poderão diminuir a curva na próxima semana.

“Hoje [quarta-feira] é uma consequência do Natal, provavelmente para a semana vamos ter uma consequência da passagem de ano em que os contactos entre as pessoas diminuirão e, como tal, o número de novos infetados também vai provavelmente diminuir”, afirma.

A jornalista da SIC não considera que este aumento possa ser considerado uma terceira fase da pandemia, apelidando de uma “pequena onda”.

Europa aprova nova vacina

A aprovação da vacina da Moderna por parte da Comissão Europeia foi também um dos assuntos analisados por Dulce Salzedas, que lembra que o número de doses compradas pela UE foi menor do que as adquiridas à Pfizer. Uma das razões pode estar ligada ao facto da farmacêutica não ter fábricas na Europa.

A jornalista da SIC espera que estava vacina comece a ser administrada nos próximos dias, como aconteceu com a vacina da Pfizer, para que os grupos de risco possam ser imunizados.

“Quando nós tivermos vacinados estes grupos de risco a pressão sobre os serviços de saúde vai diminuir muitíssimo. Quando os idosos, os chamados doentes de risco estiverem imunizados e se estão imunizados quer dizer que mesmo estando em contacto com o coronavírus não ficam infetados ou mesmo ficando infetados têm uma doença e sintomas mais leves”, explica Dulce Salzedas.

Marcelo teve contacto de baixo risco

Marcelo Rebelo de Sousa foi considerado um contacto de baixo risco, depois de ter estado com um assessor que foi, esta quarta-feira, diagnosticado com covid-19.

O Presidente da República fez dois testes que deram negativo. Dulce Salzedas, jornalista de saúde da SIC, explica o que significa ser um contacto de baixo risco.

“O facto de ter feito dois testes não tem nada a ver com ser um contacto de baixo risco. O que a Direção-Geral da Saúde (DGS) considera é que o risco que Marcelo Rebelo de Sousa tem, neste momento, de contrair o coronavírus porque tem um assessor de imprensa que está infetado é um risco mínimo. Porque, muito provavelmente, o contacto que ele teve com esse assessor não foi um contacto nem de risco elevado, nem de risco muito elevado, nem sequer de risco moderado”, esclarece a jornalista.