Coronavírus

Covid-19. Primeiro dia de confinamento ainda com muita gente nas ruas

MARIO CRUZ

Apesar das medidas serem semelhantes às aplicadas em março, o cenário tem sido muito diferente.

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O confinamento geral entrou em vigor esta sexta-feira. A regra é ficar em casa, mas no primeiro dia as ruas tiveram muita gente, como foi possível testemunhar em Lisboa. Apesar das medidas serem semelhantes às aplicadas em março, o cenário é diferente.

As exceções previstas na lei permitem a deslocação de mais de dois milhões de pessoas, seja para trabalhar, para levar os filhos a escola ou para fazer compras essenciais. O teletrabalho é obrigatório para todas as empresas que tenham condições de o fazer e as deslocações devem ser reduzidas ao mínimo e essencial.

Em Lisboa, as ruas não refletem a máxima avançada por António Costa durante o anúncio das medidas. Os carros circula, as pessoas movimentam-se, num contrasto com o que acontece há 10 meses.

Este confinamento está previsto até 30 de janeiro, já com a renovação por mais 15 dias prevista. Mas o Governo está preparado para manter as medidas até à primavera.

Movimento nos transportes mantém-se igual

O movimento nos transportes públicos em Lisboa e no Porto foi semelhante ao dos dias anteriores. Neste primeiro dia do novo confinamento, grande parte das pessoas saiu para trabalhar ou para levar os filhos à escola.

A CP já fez saber que vai manter a oferta a 100% nos comboios urbanos, regionais e inter-regionais. Só a partir de sábado é que poderá haver supressão de comboios intercidades e alfa pendular.

Já a Carris vai ter um corte de 14% face ao serviço habitual e, a partir de segunda-feira, a frequência de autocarros passa a ser a mesma que se aplica ao período do verão.

Consulte aqui as novas medidas do estado de emergência

Poderá sair de casa para:

  • Ir para a universidade ou estabelecimento escolar
  • Levar as crianças à escola ou creche
  • Ir trabalhar
  • Comprar bens essenciais e ir à farmácia
  • Ir ou transportar outra pessoa ao médico ou para dar sangue
  • Aceder a serviços públicos
  • Procurar emprego e responder a propostas de trabalho
  • Prestar assistência a vítimas de violência doméstica, tráfico de seres humanos ou para proteger jovens em perigo
  • Prestar assistência a pais, filhos, idosos dependentes e pessoas vulneráveis
  • Realizar partilha de responsabilidades parentais
  • Praticar exercício físico e desporto ao ar livre
  • Participar em cerimónias religiosas
  • Fazer voluntariado
  • Visitar pessoas institucionalizadas em lares, unidades de cuidados continuados ou centros de dia
  • Passear o animal de estimação de forma rápida, perto de casa e sozinho
  • Ir ao veterinário
  • Prestar assistência a animais ou associações zoófilas
  • Cumprir o exercício de titulares de órgãos de soberania
  • Ir aos correios, ao banco ou agentes de seguros
  • Entrar ou sair do país
  • Se for jornalista ou força de segurança
  • Para participar em ações campanha eleitoral ou para ir votar

O que está fechado?

Cafés e restaurantes deixam de ter clientes no interior e só podem funcionar em regime de take away ou entregas ao domicílio.

As lojas que não vendam bens alimentares ou produtos considerados essenciais têm de voltar a fechar, seja na rua ou nos centros comerciais. O mesmo se aplica a cabeleireiros e salões de estética.

Os ginásios ou recintos desportivos vão encerrar e os eventos ficam cancelados. A cultura, um dos setores mais atingidos pela pandemia, volta a parar e os espaços culturais fecham novamente as portas: cinemas e teatros, museus, bibliotecas e salas de concerto.

Os locais de diversão, como discotecas e bares, jardins zoológicos, casinos, salões de jogos e parques vão também ser interditados durante o novo confinamento, que está previsto, para já, até dia 30 de janeiro.

O que se mantém aberto?

Apesar do dever de recolhimento há serviços que vão continuar a funcionar e há exceções pelas quais pode sair da casa.

A grande novidade, face ao confinamento anterior, são as escolas que vão continuar a funcionar sem restrições. A medida aplica-se desde a creche à universidade, incluindo também ATLS e centros de explicação.

Também missas e funerais vão poder ser realizados, mas com regras. No entanto, a Conferência Episcopal Portuguesa defende que os batismos, crismas e casamentos devem ser suspensos durante o confinamento.

As visitas aos lares vão ser possível, bem como a hospitais. Cada instituição vai poder aplicar as regras de segurança necessárias.

As mercearias, supermercados e hipermercados vão estar abertos e sem limitação de horários. No setor de bens alimentares estão também incluídos talhos, frutarias, peixarias e padarias. Feiras e mercados podem também realizar-se, mas só para venda de comida e mediante autorização da autarquia.

A saúde vai continuar a funcionar, desde as clínicas médicas aos dentistas, veterinários e farmácias. Os serviços de apoio social e voluntário também.

Todos os serviços públicos vão estar operacionais - como tribunais e repartições das finanças - mas só por marcação. O Governo anunciou que vai reforçar o atendimento por telefone e internet.

Poderá também ir a papelarias e tabacarias, correios, bancos, seguros, notários, escolas de condução, centros de inspeção e é ainda possível alugar carros ou ir à oficina. Se tiverem clientes, os hotéis e alojamentos locais têm ordem para abrir.

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