Coronavírus

AstraZeneca deverá produzir fora da UE metade das doses acordadas com os estados-membros

ALESSANDRO DI MARCO

Depois de divulgado o acordo para a entrega de 180 milhões de doses de vacinas, um funcionário da União Europeia disse que a AstraZeneca deveria entregar menos de 90 milhões de doses entre abril e junho.

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A gigante farmacêutica AstraZeneca anunciou que poderá fabricar na União Europeia apenas metade das doses que deve fornecer à UE no segundo semestre do ano e que produziria o restante das doses prometidas aos europeus em outros lugares.

A AstraZeneca "está a trabalhar para aumentar a produtividade na sua cadeia de abastecimento na UE" e usará "a sua capacidade global para garantir a entrega de 180 milhões de doses à UE no segundo semestre do ano", disse à Agência France Prece (AFP) um porta-voz do grupo sueco.

"Cerca de metade do volume esperado deve vir da cadeia de abastecimento da UE" e o resto virá da rede internacional da empresa, afirmou o porta-voz.

Compromisso de 180 milhões de doses com a União Europeia

Na semana passada, foi divulgado o acordo para a entrega de 180 milhões de doses de vacinas. No entanto, um funcionário da União Europeia, envolvido no processo de negociações com a Astrazeneca, disse à agência Reuters que a empresa deverá entregar menos de 90 milhões de doses entre abril e junho, ou seja, menos de metade das doses previstas.

Mais tarde, num comunicado, a Astrazeneca garante que está a fazer tudo o que pode para aumentar a produção das vacinas e diz que a previsão mais recente aponta para o cumprimento do compromisso estabelecido com a União Europeia para o segundo trimestre.

Um documento do Ministério da Saúde alemão, a que a Reuters teve acesso, mostra que a AstraZeneca deverá compensar todas as entregas em falta até ao final de setembro.

Já nos primeiros três meses do ano, a Astrazeneca anunciou que ia entregar menos de metade das doses previstas, por causa de problemas na produção das vacinas, o que gerou tensões entre a UE e o grupo farmacêutico.

No total, a farmacêutica poderá entregar até final de junho 130 milhões de doses, muito menos do que as 300 milhões que se comprometeu a entregar à União Europeia.

Tensão com União Europeia

Antes da aprovação da vacina pela UE, no final de janeiro, a empresa gerou polémica entre os líderes da UE ao anunciar que não seria capaz de cumprir a meta de entregar 400 milhões de doses à União Europeia por falta de meios de produção.

O caso também causou tensão diplomática com a Grã-Bretanha, que deixou o bloco europeu, com Bruxelas implicitamente a acusar a AstraZeneca de reservar tratamento preferencial à Grã-Bretanha em detrimento da UE.

O governo do Reino Unido já imunizou milhões de pessoas com a vacina AstraZeneca desde o final de 2020. Mas a empresa não começou a distribuir na UE até o início deste mês, depois de o regulador europeu de medicamentos ter aprovado o uso da vacina.

Na UE, existem de momento três vacinas aprovadas contra a covid-19: a da Pfizer-BioNtech, Moderna e AstraZeneca.

Agência Europeia recomenda vacina da AstraZeneca a pessoas com mais de 65 anos

A Agência Europeia do Medicamento decidiu recomendar a vacina da AstraZeneca a pessoas com mais de 65 anos. A decisão surge com base em novos estudos sobre a eficácia nesta faixa etária.

Diz a Agência Europeia do Medicamento que a vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford tem o chamado benefício-risco positivo em adultos com mais de 18 anos, incluindo a população acima dos 65 e com antecedentes clínicos.

O regulador europeu salienta ainda a facilidade de armazenamento e distribuição da vacina como sendo uma vantagem extra no combate à pandemia.

Decisão semelhante já tinha sido adotada pela Organização Mundial da Saúde, a 10 de fevereiro que não só recomendou a estvacina para quem tem mais de 65 anos, como disse ser eficaz contra as novas variantes do vírus.

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