Coronavírus

Primeiro-ministro avisa que risco de transmissão da covid-19 está a aumentar

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António Costa confirma intenção de manter estado de emergência até maio.

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O primeiro-ministro avisa que o risco de transmissão da covid-19 está a aumentar em Portugal.

Depois de ter participado em mais uma reunião sobre a evolução da situação epidemiológica, no Infarmed, em Lisboa, António Costa recorreu à rede social Twitter para sublinhar que, apesar do país manter uma situação epidemiológica "estável", é muito importante "manter todas as cautelas e aplicar as medidas de prevenção".

O primeiro-ministro referiu ainda que, nos próximos dias, o número de portugueses com uma dose da vacina contra a covid-19 atingirá um milhão e que cerca de meio milhão terá já as duas tomas completas.

"Nos próximos dias, mais de um milhão de portugueses estarão vacinados com uma dose e meio milhão com duas doses da vacina", frisou.

António Costa destacou a informação de que o plano de vacinação "tem como meta chegar ao final da semana com 80% dos maiores de 80 anos inoculados".

ESTELA SILVA

Primeiro-ministro quer estado de emergência pelo menos até maio

António Costa revelou partilhar o entendimento do Presidente da República no sentido de haver estado de emergência enquanto decorrer o processo de desconfinamento, alegando que todos os passos têm de ser dados com segurança jurídica.

Esta posição foi transmitida no final de uma visita às obras de requalificação na Escola Secundária Camões, em Lisboa, em que esteve acompanhado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Questionado sobre o facto de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter admitido na segunda-feira que o estado de emergência poderia prolongar-se pelo mês de maio, o líder do executivo concordou com essa perspetiva.

Na resposta, António Costa começou por salientar que a iniciativa de decretar o estado de emergência pertence ao Presidente da República, cabendo à Assembleia da República dar a autorização.

"O que posso dizer é que é esse o entendimento do Governo. Pelo menos até ao final deste processo [de desconfinamento] , é necessário manter o estado de emergência para garantir que todos os passos são dados com segurança", afirmou.

RODRIGO ANTUNES

Perante os jornalistas, o primeiro-ministro defendeu também o princípio de que exista um critério nacional para a abertura ou eventual encerramento de escolas, e frisou que esse mesmo princípio foi proposto pelos especialistas.

"Esse critério nacional para o funcionamento das escolas tem a ver com a igualdade de oportunidades e, por exemplo, tendo em conta que vários dos anos estão sujeitos a exames. Portanto, se não fosse assim, aumentariam as desigualdades, porque havia estudantes com aulas e outros sem aulas", justificou.

No entanto, de acordo com António Costa, este princípio "não exclui que, em caso de surto numa escola - como já houve no passado -, não haja uma intervenção pontual numa escola".

"Mas temos de trabalhar - e isso está nas mãos de todos nós - é para a pandemia se manter controlada", acrescentou.

Já sobre as condições de sanitárias para a realização das eleições autárquicas, previstas para setembro ou outubro e cuja marcação é uma competência do Governo, o primeiro-ministro recusou-se a abordar para já o assunto.

"As eleições autárquicas serão só em setembro. Teremos muito tempo para falar", disse.

RODRIGO ANTUNES

AUMENTO DO ÍNDICE DE TRANSMISSIBILIDADE É "NATURAL" MAS TEM RISCOS

Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), apresentou hoje, na reunião do Infarmed, a perspetiva da evolução da incidência e da transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2.

  • evolução crescente do R que está em 0,89 (estava em 0,74)
  • continente - R abaixo de 1
  • Açores - R superior a 1
  • Madeira sem estimativa
  • A faixa etária com maior incidência está entre 20/30 anos, incidência na população acima dos 80 está a baixar.

O índice de transmissibilidade (Rt) do vírus SARS-CoV-2 "tem vindo a aumentar" e já atingiu 0,92, adiantou o investigador Baltazar Nunes.

Com base na média de cinco dias entre 13 e 17 de março, o Rt situa-se em 0,89, mas o epidemiologista, que integra o grupo de peritos que presta apoio ao Governo na tomada de decisões no âmbito da pandemia de covid-19, explicou que no último dia de análise este indicador já tinha atingido os 0,92, muito perto do limite de 1 fixado pelo governo nas métricas de análise da evolução do plano de desconfinamento.

"É natural que haja o abrandar da velocidade de decréscimo, embora também tenha os seus riscos", sublinhou Baltazar Nunes, sem deixar de notar que a incidência cumulativa de casos por 100 mil habitantes a 14 dias está abaixo do limiar de 120.

"Apesar de o Rt estar a aproximar-se de 1 é importante que a incidência esteja a baixar. Gostaríamos de reforçar a necessidade de analisar estes indicadores em conjunto".

De acordo com os números apresentados, todas as regiões do território nacional estão com um índice de transmissibilidade abaixo de 1, com exceção para a região autónoma dos Açores, não sendo ainda possível estimar o valor para a Madeira.

Contudo, o investigador do INSA vincou que os dados hoje apresentados "ainda não refletem o efeito das medidas implementadas com a abertura do primeiro ciclo e das creches".

FERNANDO VELUDO

Portugal registou hoje 10 mortes relacionadas com a covid-19 e 434 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim epidemiológico da DGS revela que estão internados 743 doentes (menos 28 do que na segunda-feira), o número mais baixo desde 06 de outubro, dia que estavam internadas 732 pessoas.

Nos cuidados intensivos, Portugal tem hoje 159 doentes (menos seis em relação a segunda-feira), o valor mais baixo desde 18 outubro, dia em que Portugal tinha 155 doentes nestas unidades.

Pedro Nunes