Desafios da Mente

“Eu vou sempre em busca da perfeição. Eu quero sempre melhorar"

Mauro Paulino

Mauro Paulino

Psicólogo Clínico e Forense

Desafios da Mente foi a Inglaterra conversar com Rui Patrício, guarda-redes titular da seleção nacional de futebol. O atual jogador do Wolverhampton explica a importância do equilíbrio entre o físico e o psicológico num atleta. E não hesita em dizer que a palavra chave para o sucesso é trabalho.

A infância a trabalhar por um sonho

Rui Pedro dos Santos Patrício deu os primeiros passos no futebol bem cedo, no Sport Clube Leiria e Marrazes. Aos 12 anos, arriscou um salto de gigante e foi viver para Lisboa com outras crianças para jogar no Sporting. Nem sempre foi fácil, mas, pelo sonho de ser jogador profissional, acabou por ficar pela capital.

O trabalho compensou e, em 2006, estreou-se no futebol profissional. Defendeu a baliza do clube de Alvalade até 2018.

Aos 33 anos, o guarda-redes titular da seleção nacional, a jogar atualmente em Inglaterra, reconhece que os sacrifícios são inevitáveis quando se quer muito estar no top. Confessa que sempre teve o sonho de chegar à mais alta competição. Por isso, dava o máximo em todos os treinos e jogos. Hoje, não hesita em dizer que o segredo do sucesso é trabalho. Não só no futebol, mas em tudo na vida.

O antes e o depois da Psicologia

Para colher os frutos desse trabalho, Rui Patrício sabe que no dia a dia é muito importante encontrar o equilíbrio entre o físico e o psicológico. Por isso, aos 23 anos, começou a aproveitar o contributo da Psicologia para o seu rendimento e explica que foi muito importante para o bem-estar interior e para a performance desportiva.

Viveu o antes e o depois da Psicologia. Rui Patrício lembra que passou a conhecer-se melhor e a encontrar estratégias para crescer com tudo o que ia acontecendo na sua vida. “Todo esse trabalho de autoconhecimento faz com que se evolua interiormente, a nível pessoal, e a nível de performance”.

Considera que cresceu como pessoa e que foi um investimento que lhe permitiu ter capacidade para ultrapassar algumas situações com mais naturalidade, não recorrendo “sempre ao martelo a bater na cabeça”.

Agora, garante que, quando vai para o jogo, sente-se preparado “para tudo o que possa acontecer, seja bom ou mau”.

Apesar de ter passado por um lesão grave há pouco tempo, o guarda-redes do Wolverhampton diz que não pensa muito no assunto lesões, porque tenta estar sempre bem antes do jogo.

“É impossível serrar serradura”

Quando algo não corre como o esperado, diz que vai “à caixa de ferramentas buscar estratégias para que esteja só focado na bola”.

Mesmo assim, admite que, por mais estratégias que tenha, por vezes leva trabalho para casa, em especial quando as coisas não correm bem. Mas no dia a seguir vai tentar perceber o que tem de melhorar e seguir em frente, porque, como disse, “é impossível serrar serradura”.

"Uma vida sem desconforto é uma vida quase sem sentido"

Olhando para trás, Rui Patrício diz que é importante aproveitar tudo o que nos acontece na vida, as coisas boas e as menos boas. Para crescermos e podermos melhorar.

“Eu olho para trás, para a minha vida, e ainda bem que eu passei por momentos menos bons e que continuo a passar e que isso que me faz crescer e ter uma vida com sentido, porque uma vida sem desconforto é uma vida quase sem sentido. Tem de haver desconforto para evoluirmos”.

Aproveitar as dificuldades como uma oportunidade de crescimento também entra na construção de um percurso de exigência. “Eu vou sempre em busca da perfeição. Eu quero sempre melhorar, seja a nível pessoal, seja a nível profissional”, diz.

Para Rui Patrício, “cada pessoa tem que querer evoluir seja a parte familiar ou profissional” e se houver algum problema perguntar como resolvê-lo.

Sobre o novo desafio, ao representar Portugal no Euro 2020, o guardião da baliza da seleção nacional, diz que é mais uma etapa que lhe vai permitir continuar a crescer.

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