Eleições nos EUA

Trump promete transição pacífica depois do Congresso confirmar vitória de Biden

Brian Snyder

Donald Trump reconheceu que deixaria o cargo a 20 de janeiro.

Donald Trump reconheceu publicamente que deixaria o cargo de Presidente dos Estados Unidos a 20 de janeiro pela primeira vez. Promete uma transição pacífica de poder, depois do Congresso confirmar a vitória de Joe Biden.

Em comunicado, o Presidente cessante considera que a decisão do Congresso "representa o fim do melhor primeiro mandato da história presidencial."

"Embora discorde totalmente do resultado da eleição (...) haverá uma transição pacífica a 20 de janeiro", disse Trump num comunicado publicado na rede social Twitter pelo seu diretor de redes sociais, Dan Scavino.

Esta promessa de Donald Trump surge depois do ainda Presidente dos Estados Unidos ter dito que nunca reconheceria a derrota nas eleições presidenciais e ter insultado os republicados que não o apoiam.

Mike Pence, o apagado vice-presidente de Trump, foi o homem mais pressionado da América nos últimos dias. É ao "número dois" de qualquer presidência que cabe abrir o envelope onde estão os votos certificados de cada estado e anunciá-los. Trump tinha pedido a Pence que rejeitasse os resultados.

O vice-Presidente republicano validou o voto de 306 grandes eleitores a favor do democrata contra 232 para o Presidente cessante, Donald Trump, no final de uma sessão das duas câmaras, marcada pela invasão de apoiantes de Trump e que semeou o caos no Capitólio, em Washington.

CONFIRMAÇÃO de Biden ACONTECE APÓS INVASÃO DO CAPITÓLIO

A sessão de trabalhos esteve interrompida durante algumas horas depois de os apoiantes de Donald Trump terem invadido o Capitólio. A Guarda Nacional teve de intervir e foi decretado o recolher obrigatório em Washington. Dos confrontos resultaram pelo menos quatro mortos e 52 detidos.

A polícia da capital dos Estados Unidos usou armas de fogo para proteger congressistas e a AP já tinha dado conta da morte de uma mulher, alvejada no interior do Capitólio. A mesma força adiantou agora que mais três pessoas morreram no hospital.

As autoridades acrescentaram que pelo menos 14 polícias ficaram feridos, dois deles em estado grave, tendo sido efetuadas mais de meia centena de detenções, sendo que cerca de 30 aconteceram por violação do recolher obrigatório.

A presidente da Câmara de Washington, Muriel Bowser, prolongou o estado de emergência pública na capital por mais 15 dias, até depois da tomada de posse do Presidente eleito, Joe Biden, agendada para 20 de Janeiro.

As autoridades também encontraram e desativaram duas bombas caseiras nas proximidades da sede dos secretariados nacionais dos partidos Democrata e Republicano. E descobriram ainda uma viatura no terreno do Capitólio, onde se encontrava uma espingarda e até dez bombas incendiárias, informou a cadeia de televisão norte-americana CNN.

Quatro horas após o início dos incidentes, as autoridades declararam que o edifício do Capitólio estava em segurança.

A invasão dos apoiantes de Donald Trump ao Capitólio não ficou indiferente aos líderes mundiais. Por cá, António Costa diz que as imagens são inquietantes e que o resultado das eleições de novembro deve ser respeitado com uma transição pacífica do poder. Um apelo repetido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que diz estar a acompanhar a situação em Washington.

Da União Europeia chegam palavras semelhantes. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia, dizem confiar nas instituições norte-americanas e esperam que a transição de poder de Trump para Biden seja pacífica.