Match Point

Benfica resolve o futuro… com eleições!

Opinião

Francisco Seco

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Parece indiscutível que a melhor forma de acalmar o mar revolto em que se encontra desde meio da semana passada, com a detenção de Luís Filipe Vieira e posterior de se suspender das funções de presidente, é o Benfica decidir o seu futuro regressando às urnas, situação que, pelas informações que se conhecem, deve ficar plasmada nas próximas horas, resultante de uma importante e decisiva reunião de órgãos sociais. Até lá, porque, como na política, o poder não podia cair na reunião, os encarnados seguem a sua vida sob a liderança de Rui Costa.

A auto proclamação do antigo “regista” como líder dos benfiquistas não caiu assim tão bem em muitos círculos afetos ao clube, oposicionistas ou não. Exorbitou o antigo futebolista e até quarta-feira primeiro vice-presidente e encaminhado futuro presidente por LFV? Vou admitir que sim, que o discurso não terá sido convincente, que muitos associados não se reviram totalmente nas suas palavras e no ato, mas de uma coisa estava Rui Costa seguro: não cometeu nenhuma ilegalidade. E é também a minha leitura em função do que estava lavrado em ata, datada de 8 de novembro do ano passado.

MIGUEL A. LOPES / LUSA

Porém, porque em termos jurídicos as dúvidas são mais do que muitas e neste momento, com segurança, ninguém pode garantir quem está correto, até mesmo se Vieira pode regressar a funções no clube, o mais equilibrado é, sem dúvida, o Benfica voltar a votos, até porque não acredito que Rui Costa queria ser presidente como está a ser. A minha convicção é a de que o dirigente quer chegar a número um mas sufragado pelo maior número de associados possível. Para isso terá de se sujeitar ao escrutínio e ter de enfrentar as dúvidas que muitos colocam: pode ele ser presidente depois de tantos anos ao lado de alguém a quem são apontados indícios gravíssimos?

Essa dúvida só será desfeita se Rui Costa se decidir ir votos, o que me parece fazer parte do seu horizonte. Seja quais forem os outros candidatos. Mas, essa é uma realidade que só será conhecida lá para outubro, palpita-me. Porém, confirmando-se que o quotidiano encarnado segue o seu curso, por força, também, da organização existente e da imagem de quem o lidera, aconteceu a primeira contração. E logo… João Mário.

JOÃO MÁRIO NO BENFICA

Não é para mim assim uma grande surpresa ver João Mário, campeão da Europa por Portugal, campeão nacional pelo Sporting e integrante de uma geração de futebolistas de grande qualidade, ingressar no Benfica, depois de todos os desenvolvimentos que se conheceram desde que terminou a Liga. Por muito que a sua decisão deixe o universo sportinguista revoltado, João Mário tratou da sua vida depois de perceber – e isso só aconteceu muito tarde ­– que não havia em Alvalade assim tanta vontade no que à sua continuidade dizia respeito.

TANIA PAULO

Porque numa crónica anterior deixei preciso aquilo que achava sobre o assunto, aqueles que acham que João Mário se portou mal com o Sporting devem é questionar, se for caso disso, os leões e procurarem saber as razões porque não houve acordo. Se é certo, ou não, que Rúben Amorim considerava, como se confirmou, o médio “descartável” e que perante essa evidência o futebolista tinha de olhar pelo seu futuro.

Já agora: se alguma entidade tem de ser questionada é o Inter. Como é que um clube que não pretende continuar com um ativo a quem teria de pagar, pelo ano de contrato que ainda estava em vigor, uma verba a rondar seis milhões de euros brutos, recusa três milhões limpos, mais dois por objetivos dos leões, com receio de uma cláusula anti-rivais, no valor de 30 milhões de euros, recusa receber 7,5 milhões do Benfica e deixa sair o jogador a custo zero? Portanto, João Mário, por muito que isso custe à nação leonina, fez aquilo que muitos de nós fariam, em defesa do seu futuro e bem-estar.

COMO FESTEJARAM ARGENTINOS E ITALIANOS…

Messi é como CR7: não se cansa de vencer. Mas, como na madrugada deste domingo, nunca o tinha visto: feliz, feliz, muito feliz com a conquista da Copa América pela Argentina. Certamente por ter sido a sua primeira conquista enquanto futebolista maior - e por a mesma se ter verificado frente ao Brasil e no Brasil -, aquele que mais perto estará do mais virtuoso da história, Diego Armando Maradona, vibrou imenso com a merecida conquista, que teve em Di Maria figura central, pelo único golo do jogo, fantástico golo, refira-se, e que deixou outro astro do planeta futebol desfeito em lágrimas: Neymar.

Ricardo Moraes

Poucas horas mais tarde, na Europa, a festa foi italiana. Comemorada, justamente, no icónico Estádio de Wembley, como resultado do mais consistente desempenho que uma equipa teve no Campeonato da Europa. É certo que a Itália abanou frente à Espanha na meia-final, correu até sérios riscos de não chegar ao jogo capital, mas feitas as contas… quem melhor jogou foi o conjunto liderado pelo treinador que mudou por completo a face da equipa transalpina, como se percebeu perfeitamente na final: Roberto Mancini.

Carl Recine

E a Inglaterra merecia mais? Levou o jogo o mais longe possível, as grandes penalidades, mas com o aproximar do final da prova mostrou fragilidades que pareciam não existir. A começar por algumas escolhas muito discutíveis de Gareth Southgate, como se viu no adeus a Wembley. Sim, os ingleses foram uma das boas surpresas da prova – como o foram Dinamarca ou Rep. Checa -, mas perderam embalo com o passar dos jogos. Extrajogo, mais do que as reprováveis cenas nas imediações do estádio, os ataques racistas a Rashford, Sancho e Saka confirmam que está longe de ser erradicado o lado mais repugnante do mais belo espetáculo desportivo do Planeta.

ÉDER E CR7 EM DESTAQUE NO FINAL DO EUROPEU

Portugal ficou-se pelos oitavos de final, mas foi indiscutível a sua presença no ato final em Wembley. Primeiro, pela classe com que Éder representou o País na passagem de testemunho, ele que foi figura maior no jogo que levou o selecionado ao maior triunfo da sua história futebolística, e nem me interessa saber se ele esteve em Londres porque CR7 não pôde, ou não quis, estar. Esteve muito bem e ponto final! Depois, porque os cinco golos do capitão da seleção foram suficientes para se tornar no melhor marcador da competição, em igualdade com o checo Schik, mas com uma assistência que fez toda a diferença. Portanto, cada vez vão faltando menos recordes e galardões no museu do fantástico futebolista.

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E porque sou de cumprir, aqui deixo aquele que foi para mim o grupo de futebolistas mais competentes da prova: Schmeichel (Dinamarca); Pepe (Portugal), Bonucci (Itália) e Chiellini (Itália); Maehle (Dinamarca), Pedri (Espanha), Jorginho (Itália) e Spinazzola (Itália); Chiesa (Itália), Schik (Rep. Checa) e Ronaldo (Portugal).

Donnarumma, guarda-redes italiano, foi eleito o melhor futebolista do Europeu e não deixou de me surpreender a eleição, enquanto Pedri foi escolhido, e bem, como o melhor futebolista jovem. Para os treinadores não houve qualquer distinção individual, mas se houvesse só um a podia conquistar Roberto Mancini.

Facundo Arrizabalaga

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