Qatar 2022

Mundial 2022: vão ser gastos 10 mil litros de água por dia, por cada estádio

Mundial 2022: vão ser gastos 10 mil litros de água por dia, por cada estádio
Jon Super

Organização prometeu o primeiro Mundial a alcançar a neutralidade carbónica, mas, entre estádios com sistemas de refrigeração e elevados consumos de água, as organizações ambientais estão preocupadas.

Em janeiro de 2020, as autoridades do Qatar apresentaram o plano de sustentabilidade ambiental para o torneio e estabeleceram um ambicioso objetivo: organizar o primeiro Campeonato do Mundo a alcançar a neutralidade carbónica.

Neste sentido, a FIFA aponta três fatores que visam contribuir para atingir essa meta: compensar as emissões poluentes dos voos de cada adepto; reduzir as deslocações entre estádios, visto tratar-se do Mundial geograficamente mais compacto de sempre; e apostar em transportes públicos elétricos e gratuitos.

Lujain Jo

Todavia, há números que preocupam as organizações ambientais, tendo um dos mais recentes sido revelado pelo jornal britânico The Guardian: o Qatar vai gastar 10 mil litros de água por dia, por cada estádio (são oito no total).

Localizado numa região com acesso escasso a água para consumo humano, a aposta do Qatar centra-se na dessalinização de água salgada, uma aposta com consequências drásticas para o ambiente, dado o recurso a combustíveis fósseis e o impacto na fauna e flora marinha, devido aos químicos colocados na água para o processo.

Para que servirá esta água? Para arrefecer o ar por cima dos relvados dos oito estádios e de mais de 130 campos de treino, humedecendo a relva de forma regular.

LISA LEUTNER

Além destes valores, segundo o The Guardian, foi ainda criada uma reserva de emergência com 425 mil metros quadrados de relva - o equivalente a cerca de 40 campos de futebol - que está a ser desenvolvida em Doha e cujos dados de consumo de água não estão registados.

O elevado consumo de água é uma preocupação central das associações ambientais, mas não é a única.

Sergey Ryumin

Promessas ambientais levam “cartão amarelo”

Num relatório divulgado em maio, a organização não-governamental (ONG) Carbon Market Watch (CMW) dá “cartão amarelo” aos organizadores do Mundial, pela promessa de que seria um evento com neutralidade carbónica.

A CMW realça que a pegada ecológica deixada pela construção dos estádios é muito superior àquela que havia sido anunciada pelas autoridades qataris.

HAMAD I MOHAMMED

A ONG refere ainda que, apesar de este ser o Campeonato do Mundo geograficamente mais compacto de sempre, o número de voos diários anunciado pela Qatar Airways - 160 - para assegurar as deslocações entre o Qatar e países vizinhos “vai ampliar a distância entre as afirmações da organização e a realidade para níveis que se aproximam da dissonância cognitiva”.

Estádios com ar condicionado?

Os organizadores do Mundial prometeram desde cedo uma inovadora “tecnologia de refrigeração para estádios de futebol”, com o intuito de otimizar as condições para todos os presentes nos recintos, dos jogadores aos adeptos.

Apesar das críticas recebidas, as autoridades qataris asseguram que cada sistema de refrigeração foi criado para arrefecer áreas específicas e é alimentado a energia solar, através de painéis. Da mesma forma funcionam os ventiladores instalados em diferentes locais de cada estádio (como pode ver na imagem abaixo). Um sistema de circulação de ar que deixará as temperaturas a oscilar entre os 18ºC e os 24°C.

MOHAMMED DABBOUS

Segundo a organização, todo o sistema de refrigeração de água está instalado a cerca de 80 quilómetros da capital Doha, numa central solar recém-construída.

(Arquivo)

A fase final do Mundial vai ser disputada entre 20 de novembro a 18 de dezembro por 32 seleções. Portugal integra o grupo H, com Uruguai, Coreia do Sul e Gana.

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