A vacinação em Portugal e no Mundo

"Pátria" é a nova vacina contra a covid-19 fabricada no México

Presidente mexicano e a diretora-geral do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt), Maria Elena Alvarez-Buylla

Sashenka Gutierrez / EPA

Autoridades mexicanas convictas de que a nova "arma" contra a covid-19 começará a ser administrada no final do ano.

O México afirma ter desenvolvido uma vacina contra a covid-19 que pode ser aprovada para uso de emergência neste ano, revelou o Presidente do México, medicamento que dará a independência do país face aos fármacos estrangeiros.

Na conferência de imprensa conjunta com o Presidente mexicano, a diretora-geral do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt), Maria Elena Alvarez-Buylla revelou que a vacina "Pátria" está a ser desenvolvida pela farmacêutica Avimex e pode ser aprovada em novembro ou dezembro deste ano.

Os ensaios clínicos com voluntários podem começar ainda mês, de acordo com a Avimex, a empresa farmacêutica veterinária que lidera o desenvolvimento da vacina no México.

"Uma vacina com este nome significa que devemos pensar sempre em ser independentes, que é do nosso interesse ser independentes", declarou o Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, numa conferência de imprensa.

O chefe de Estado mexicano foi o responsável pela escolha do nome da futura vacina, tendo assumido a inspiração na vacina Soberana de Cuba.

López Obrador, que frequentemente enaltece o seu nacionalismo, frisou que o México deve ser "autossuficiente naquilo que é fundamental", nomeadamente ao nível dos alimentos, da energia e dos medicamentos, incluindo no desenvolvimento de uma vacina contra uma doença que já provocou mais de 209 mil mortos e quase 2,3 milhões de infetados no país.

"É preciso tentar não depender tanto do estrangeiro", defendeu o Presidente mexicano a propósito da futura vacina, ao mesmo tempo que os especialistas envolvidos no processo pedem cautela.

Para iniciar os ensaios clínicos da futura vacina mexicana, desenvolvida pelo laboratório Avimex e pelo governo federal, as autoridades procuram até 100 voluntários na Cidade do México.

O fármaco, já testado em ratos e porcos, utiliza um vetor viral da doença de Newcastle, uma doença altamente contagiosa que afeta as aves (domésticas e selvagens), mas que não é perigosa para os seres humanos.

Caso o calendário das três fases dos ensaios clínicos corra como estipulado, a aprovação do pedido para o uso de emergência da vacina mexicana será possível entre novembro e dezembro de 2021.

"Se tudo correr como esperado, teremos uma vacina mexicana até ao final deste ano que será colocada à disposição da Cofepris [órgão regulador mexicano] para a aprovação para uma utilização de emergência", explicou Maria Elena Alvarez-Buylla.

Em declarações à agência espanhola EFE, Malaquías López, professor de Saúde Pública da Universidade Nacional Autónoma do México, destacou a importância de ter precaução em relação ao calendário estipulado para os ensaios clínicos, mencionando a situação ocorrida hoje com a vacina da Johnson & Johnson, que parecia consolidada.

"Não há nenhuma razão para acreditar que a vacina mexicana é perfeita e que será capaz de avançar todos os capítulos de uma forma simples", disse Malaquías López.

Com uma população de 126 milhões de pessoas, o México foi um dos primeiros no mundo a iniciar a vacinação contra a doença covid-19, tendo administrado até à data 11,8 milhões de doses.

No México estão atualmente disponíveis várias vacinas: Pfizer/BioNTech, AstraZeneca/Oxford, Sputnik V e as chinesas CanSino e Sinovac.

A vacina indiana Covaxin poderá ser acrescentada em breve a esta lista.

Para assegurar estes contratos e evitar mais atrasos nos envios de vacinas, o ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano, Marcelo Ebrard, irá deslocar-se em breve aos Estados Unidos, à Rússia, à China e à Índia, segundo referiu a EFE.

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