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Falta de comunicações leva autarquia da Batalha a distribuir avisos em papel porta-a-porta

No "Aviso à população" é possível ler o ponto de situação relativamente aos abastecimentos de água e eletricidade, e da rede móvel e Internet. Segundo o autarca, as viaturas municipais que circularam pelo território do concelho também tinham panfletos para distribuir.

Uma torre situada à entrada de Vieira de Leiria, danificada devido à passagem da depressão Kristin, Marinha Grande, Leiria, 29 de janeiro de 2026.
Uma torre situada à entrada de Vieira de Leiria, danificada devido à passagem da depressão Kristin, Marinha Grande, Leiria, 29 de janeiro de 2026.
CARLOS BARROSO / LUSA

A Câmara da Batalha está a distribuir avisos em papel porta-a-porta à população, dadas as dificuldades de comunicações, disse à agência Lusa o presidente do município, que promove hoje uma ação de voluntariado para limpar o concelho.

"Ontem [sexta-feira], como não havia comunicação em todo o concelho, fizemos esse papel, distribuição de 'flyers' de informação. Obviamente que não conseguimos chegar ao concelho todo, mas fizemos essa distribuição junto das infraestruturas comerciais e no porta-a-porta", afirmou André Sousa.

Segundo o autarca, as viaturas municipais que circularam pelo território do concelho também tinham panfletos para distribuir.

No "Aviso à população" é possível ler o ponto de situação relativamente aos abastecimentos de água e eletricidade, e da rede móvel e Internet.

Indica ainda o local para banhos quentes, carregamento de telemóvel e acesso a wi-fi, assim como a localização das caixas Multibanco em funcionamento e do local para exercício do voto antecipado em mobilidade.

"Hoje, já há parte do concelho com infraestruturas [de telecomunicações] móveis, no entanto vamos continuar a fazer [a distribuição dos avisos], sobretudo na freguesia do Reguengo do Fetal e na freguesia de São Mamede, onde ainda não há tanta iluminação e não há tantas infraestruturas básicas de telecomunicações e, sobretudo, na população mais idosa", adiantou o autarca.

Também hoje decorre neste concelho do distrito de Leiria uma ação de voluntariado, para ações de limpeza, com dois grupos.

No grupo um, prioritário, estão as pessoas com experiência para limpeza de ruas e caminhos, corte e remoção de árvores, limpeza de valas e sarjetas, e arranjos de telhados de habitações danificadas.

Neste caso, a autarquia apela para a colaboração de pessoas "com experiência, com motosserras, enxadas, vassouras, carrinhas com caixa aberta", sendo os pontos de encontro às 09:00 nos armazéns do município e uma hora depois na Junta de Freguesia de São Mamede.

"Pedimos pessoas com experiência por causa do perigo de todas as operações", justificou André Sousa.

Um segundo grupo inclui as pessoas sem experiência, mas com "muita vontade de ajudar".

"A essas pessoas pedimos que ajudem na sua rua, junto dos seus vizinhos, de forma organizada e segura. Ajudar o vizinho, sobretudo o idoso, a ver se precisa de água, de comida, de apoio médico", exemplificou o presidente do município.

O apoio na limpeza estende-se às "sarjetas e valetas sem risco", dada a previsão de chuva, pelo que é necessário "remover alguns pequenos detritos de ruas e passeios", esclareceu.

"Pedimos, sobretudo, que tenham segurança a trabalhar. Não vamos subir a telhados se não temos experiência", referiu o autarca, apelando para não se tocar em cabos elétricos no chão, assim como manter a distância mínima de 25 metros destes, e não realizar este trabalho sozinho.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.