Passou uma semana sobre a tempestade e quem vive nas regiões atingidas diz-se abandonado pelo poder central. As Forças Armadas afirmam que estão na rua, mas quem desespera por ajuda garante que ninguém tem visto os militares. A situação voltou a complicar-se depois do temporal das últimas horas.
Entre a meia-noite e as 08:00 desta segunda-feira foram registadas 263 ocorrências, quase todas na região de Lisboa e Vale do Tejo - mais de metade dos casos foram quedas de árvores.
Quase seis dias depois da passagem da tempestade Kristin por Portugal, ainda há mais de 160.000 clientes sem energia.
A prioridade da E-Redes é acelerar o restabelecimento do serviço, mas as reparações não devem estar concluídas antes do final do mês de fevereiro até porque são várias as torres de alta tensão que estão caídas ou vergadas.
Em comunicado, as Forças Armadas dizem que desde o dia 28 estão empenhados 1.090 militares, apoiados por mais de 200 viaturas e 23 máquinas, mas quem anda no terreno garante ainda não os viu.
Número de mortos atualizado
O número de vítimas mortais voltou a subir, são agora nove.
Além das cinco pessoas que perderam a vida na passada semana, juntam-se mais dois homens que morreram quando tentavam reparar telhados e outras duas mortes por inalação de fumos.
Só no hospital de Leiria foram tratados mais de 500 feridos.
As autoridades pedem cuidados redobrados com a utilização de geradores e lareiras.
Em Porto de Mós, outras duas pessoas ficaram feridas por causa de uma intoxicação por monóxido de carbono com origem num gerador.
Mais de 60 concelhos em estado de calamidade
Nesta altura, são mais de 60 os concelhos que em Portugal se vão manter em estado de calamidade, pelo menos até ao próximo dia 8 de fevereiro, face ao agravamento previsto do risco para bens e pessoas nos próximos dias.
Depois dos ventos extremos e ainda longe de fechar as contas aos danos provocados pela tempestade Kristin, agora são as chuvas que fazem temer o pior.
Sobretudo por causa do risco de cheias e inundações e a instabilidade dos solos completamente saturados pela água.
Quanto a infraestruturas, ainda são vários os constrangimentos na ferrovia.
Os comboios ainda não circulam na linha do Norte, entre Castanheira do Ribatejo e Alverca, por causa da uma grande inundação, nem na linha da Beira Baixa, entre o Fundão e Vale Prazeres.