A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, diz que é a Proteção Civil que faz a avaliação da necessidade de ativar o Mecanismo da União Europeia, na sequência da passagem da depressão Kristin.
O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Manuel Moura, rejeita a necessidade de acionar o Mecanismo da União Europeia (UE), uma vez que Portugal ainda não esgotou os seus recursos para combater os efeitos da tempestade.
Questionada pelos jornalistas sobre o mecanismo, a ministra da Administração Interna diz que a avaliação da necessidade cabe à Proteção Civil.
"A decisão política depende da fundamentação técnica. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil acabou esta tarde de exprimir perante todos qual é neste momento a sua avaliação técnica", afirma.

Maria Lúcia Amaral admite ainda que não sabe o que falhou na coordenação dos meios. Diz que a tempestade foi uma situação "complexa" e, por isso, sentiu-se a falta de meios durante mais tempo.
"As entidades coordenadoras têm tido todo o cuidado de garantir a colaboração entre todos. É preciso que se tenha em linha de conta que as necessidades são muitas, de vários lados, que esta foi uma crise com aspetos múltiplos de comunicações, de falhar de energia, e que tudo isso pode ter contribuído para que se sentisse a falta durante mais tempo."

Consequências da tempestade Kristin
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A tempestade provocou ainda centenas de feridos e desalojados.
