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Há ainda muitas perguntas sem resposta no caso do homicídio de Gabby Petito

O namorado, Brian, continua desaparecido.

Há ainda muitas perguntas sem resposta no caso que envolve a morte de Gabby Petito, a jovem encontrada morta no domingo depois de ter sido dada como desaparecida.

A norte-americana e o namorado faziam uma viagem de carro pelos Estados Unidos, mas a 1 de setembro, Brian Laundrie regressou a casa sozinho. O jovem de 23 anos foi visto pela última vez no início da semana, mas as autoridades acreditam que se trata de um desaparecimento voluntário.

A 12 de agosto, o casal foi mandado parar por excesso de velocidade e o comportamento de Gabrielle deixou os agentes de sobreaviso. O registo das autoridades revela a tensão entre o casal de que falam muitas testemunhas ouvidas nos últimos dias.

Um percurso pintado em tons de rosa

Namorados desde a pré-adolescência, Gabby e Brian viviam com os pais dele na Flórida. Em julho, partiram numa viagem de carro pelos parques nacionais dos Estados Unidos. Com muitos seguidores nas redes sociais, Gabrielle foi fazendo a crónica de um percurso pintado em tons de rosa.

Mas de acordo com a CNN, nas conversas telefónicas com a mãe, a jovem desabafava uma tensão crescente ente o casal e mostrava-se receosa. A última vez que comunicou com a família foi a 27 de agosto por SMS. Nesse dia, pararam também as publicações nas redes sociais.

A mãe não acredita que tenha sido enviada pela filha a mensagem que recebeu no dia 30, dizendo só “nesta zona não há rede”.

O que dizem as testemunhas

A 1 de setembro, Brian voltou sozinho a casa com a carrinha em que viajavam e recusou-se a colaborar com as autoridades. Sabe-se agora que a 29 de agosto, no Wyoming, perto do local onde o corpo de Gabrielle foi encontrado, Brian terá pedido boleia a um casal a quem disse ter estado a acampar sozinho durante vários dias, enquanto a namorada ficara na carrinha a trabalhar nas publicações das redes sociais.

Entre os vários testemunhos que surgiram nos últimos dias, um dá conta de uma discussão num restaurante, onde Brian terá sido muito agressivo, e outra num parque natural. Há também uma chamada para o 112 na qual uma testemunha conta ter visto um jovem a esbofetear a namorada.

Os resultados preliminares da autópsia apontam para homicídio, mas só as conclusões finais poderão revelar a causa da morte de Petito.

O FBI emitiu um mandado de detenção para Brian não pelo homicídio da namorada, mas por uso fraudulento do seu cartão de débito em mais de mil dólares, entre 30 de agosto e 1 de setembro. O jovem saiu de casa dos pais na quinta-feira, sem telemóvel nem carteira, dizendo que ia para a Reserva Natural de Carlton, na Flórida. É lá que as autoridades o procuram há vários dias com cães pisteiros, drones e helicópteros.

Os casos de que ninguém fala

A atenção e a cobertura que o caso tem tido nos média confirma o fenómeno conhecido como “síndrome da mulher branca desaparecida”. Nos Estados Unidos, metade das pessoas que desaparecem não são brancas, mas a maioria destas famílias não vê os casos divulgados.

No Wyoming, onde Gabby foi encontrada, desaparecem mulheres indígenas todos os dias. Na última década apenas 18% teve cobertura mediática. Em Nova Iorque e na Califórnia, por exemplo, 34% dos casos de adolescentes brancas desaparecidas tem a atenção dos média. A percentagem desce para os 7% quando são raparigas negras.

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