Opinião

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E se a Figura do Ano em Portugal for André Ventura?

Artigo de opinião de Martim Silva. Quem deve ser reconhecido como figura nacional em 2025? Luís Montenegro? Marcelo? Miranda Sarmento? Cristiano Ronaldo? Roberto Martinez?
E se a Figura do Ano em Portugal for André Ventura?
RODRIGO ANTUNES/LUSA

Dezembro é, em muitas redações, o momento de escolha das figuras e acontecimentos do último ano. Este ano, não deve ser difícil imaginar que as interrogações vão ser mais complexas que nunca. A razão está auto-explicada no título desta crónica.

Quem vai ser o escolhido em Portugal? Ou, colocando de outra forma, como encontrar alguém que mais se tenha destacado do que André Ventura? Não é mesmo nada fácil.

Só para tirar complexos de cima dos ombros, basta lembrar que a revista Time, para dar o exemplo mais relevante à escala internacional, já por duas vezes elegeu Donald Trump como “Person of the Year”, em 2016 e 2024, os anos em que venceu as duas eleições presidenciais norte-americanas.

Se olharmos para os factos, sem que haja uma valorização negativa ou positiva na escolha do eleito, é difícil fugir a André Ventura. Trump nos EUA não é a escolha por ser uma figura magnífica ou inspiradora, é a escolha por ser inevitável reconhecer a forma como marca a atualidade.

André Ventura e o seu partido Chega tornaram-se este ano a segunda força política em Portugal. Ultrapassaram o PS em número de eleitos na Assembleia da República, com 60 deputados.

Nunca na história da nossa democracia o bipartidarismo tinha sido tão ameaçado - o PRD foi um epifenómeno de uma eleição, o Chega tem-se consolidado como terceiro pilar do sistema – antes dos 60 deputados já tinha 50 eleitos.

Antes de 2025, o Chega não existia no poder autárquico. Agora já tem três presidências de câmara e é essencial na governação de autarquias um pouco por todo o país.
2025 termina com as sondagens a indicarem André Ventura como um forte, fortíssimo, candidato a passar à segunda volta das eleições presidenciais.

André Ventura e o seu populismo radical já não são uma excentricidade, são dominantes na vida política nacional e marcam a agenda de forma indelével e permanente. Temas como a imigração, a segurança ou a corrupção passaram para o topo da agenda.

André Ventura é a grande figura nacional de 2025. Isto quer dizer muito sobre o estado do país e sobre o estado do mundo? Quer. Mas não o reconhecer é só manter a cabeça enfiada na areia. Podemos gostar mais ou menos da realidade, mas ela não muda por não a enfrentarmos.