Dezembro é, em muitas redações, o momento de escolha das figuras e acontecimentos do último ano. Este ano, não deve ser difícil imaginar que as interrogações vão ser mais complexas que nunca. A razão está auto-explicada no título desta crónica.
Quem vai ser o escolhido em Portugal? Ou, colocando de outra forma, como encontrar alguém que mais se tenha destacado do que André Ventura? Não é mesmo nada fácil.
Só para tirar complexos de cima dos ombros, basta lembrar que a revista Time, para dar o exemplo mais relevante à escala internacional, já por duas vezes elegeu Donald Trump como “Person of the Year”, em 2016 e 2024, os anos em que venceu as duas eleições presidenciais norte-americanas.
Se olharmos para os factos, sem que haja uma valorização negativa ou positiva na escolha do eleito, é difícil fugir a André Ventura. Trump nos EUA não é a escolha por ser uma figura magnífica ou inspiradora, é a escolha por ser inevitável reconhecer a forma como marca a atualidade.
André Ventura e o seu partido Chega tornaram-se este ano a segunda força política em Portugal. Ultrapassaram o PS em número de eleitos na Assembleia da República, com 60 deputados.
Nunca na história da nossa democracia o bipartidarismo tinha sido tão ameaçado - o PRD foi um epifenómeno de uma eleição, o Chega tem-se consolidado como terceiro pilar do sistema – antes dos 60 deputados já tinha 50 eleitos.
Antes de 2025, o Chega não existia no poder autárquico. Agora já tem três presidências de câmara e é essencial na governação de autarquias um pouco por todo o país.
2025 termina com as sondagens a indicarem André Ventura como um forte, fortíssimo, candidato a passar à segunda volta das eleições presidenciais.
André Ventura e o seu populismo radical já não são uma excentricidade, são dominantes na vida política nacional e marcam a agenda de forma indelével e permanente. Temas como a imigração, a segurança ou a corrupção passaram para o topo da agenda.
André Ventura é a grande figura nacional de 2025. Isto quer dizer muito sobre o estado do país e sobre o estado do mundo? Quer. Mas não o reconhecer é só manter a cabeça enfiada na areia. Podemos gostar mais ou menos da realidade, mas ela não muda por não a enfrentarmos.
