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"Só agora começou". José Sócrates quebra o silêncio em novo livro

Da traição do PS, passando pela vingança da direita, à Operação Marquês.

José Sócrates acusa a atual direção do PS de traição e de ter decidido removê-lo da história do partido. No livro "Só agora começou", que vai ser lançado nos próximos dias e que o Diário de Notícias pré-publica este domingo, Sócrates insiste que foi alvo de uma vingança da direita e que um dos principais objetivos da Operação Marquês foi impedir uma candidatura sua à Presidência da República.

Livro está escrito desde 2018

O livro que será lançado nos próximos dias está escrito desde 2018, ano em que Sócrates se desfiliou do PS, partido a que dedica um dos capítulos mais duros.

O nome de António Costa nunca é referido. Sócrates dirige sempre o ataque "ao atual líder do PS". E começa por acusá-lo de remover da história do partido o único líder que teve uma maioria absoluta. Mas deixa um aviso: nem sempre as coisas correm como planeado.

Cita o político brasileiro Ulysses Guimarães para sublinhar uma traição que confessa o surpreendeu, mas faz questão de deixar muito claro que quando fala de mágoa é apenas e só no plano político.

Lamenta o silêncio cúmplice do PS em relação aos abusos de que foi alvo e acusa a direção do partido de se ter juntado à direita quando nada fez para impedir uma vingança em curso.

Desmontar a Operação Marquês

Arrumado o capítulo do PS, Sócrates procura desmontar a argumentação do Ministério Público e rebate uma por uma as acusações de que foi alvo na Operação Marquês. Ataca procuradores e juízes, condena a relação entre a investigação criminal e o jornalismo e lamenta que o espetáculo tenha sido sempre o motor de tudo.

O prefácio de Dilma Rousseff faz a comparação direta entre o processo Marquês e a operação Lava Jato, que levou à prisão de Lula da Silva.

Sócrates conta que prometeu a si próprio só lançar o livro quando estivesse terminada a fase de instrução, fosse qual fosse a decisão do juiz. Agora que a conhece, avança com a publicação e a mensagem é clara. Sócrates só agora começou.

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    Chamam-lhes “funcionários” porque funcionam. A expressão até parece sugerir que eles são os únicos que “funcionam”, dentro de uma escola. Acalmem-se os tolos. Significa apenas que os “assistentes operacionais”, ou “auxiliares de ação educativa”, títulos mais pomposos do que “contínuos” – expressão que estimo muito - são pau para toda a colher.

    Opinião

    Rui Correia