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Governo acelera vacinação em Lisboa. Maiores de 30 e 40 anos começam a ser vacinados em junho

Stephane Mahe

Lisboa e Vale do Tejo concentra 43% dos casos do país nos últimos dias.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou esta terça-feira em conferência de imprensa que é imperativo aumentar a testagem e acelerar a vacinação contra a covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo.

À semelhança do presidente do Instituto Ricardo Jorge, Fernando Almeida, e do diretor de Serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde (DGS), André Peralta Santos, Lacerda Sales manifestou preocupação com o aumento da incidência e Rt em Lisboa, mas garantiu que não há, para já, sinal de alarme.

Aumentar a testagem e acelerar a vacinação

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou esta terça-feira que o aumento da incidência da covid-19 na região de Lisboa é uma situação que preocupa as autoridades sanitárias e que deve ser encarada como um sinal de alerta, mas não de alarme.

Para responder a esta subida, Lacerda Sales explica ser necessário atuar de forma preventiva e proativa, aumentando a testagem de forma a quebrar cadeias de transmissão e acelerando o processo de vacinação, que em Lisboa e Vale do Tejo está “ligeiramente mais atrasado”.

Por essa razão, a vacinação nesta região para a faixa etária a partir dos 40 anos vai começar a 6 de junho e, mais tarde, a partir de 20 de junho para aqueles com mais de 30 anos.

O alerta da DGS sobre o crescimento de casos

O diretor de Serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde (DGS), André Peralta Santos, alertou na conferência de imprensa desta terça-feira que, caso este crescimento da incidência se mantenha, Lisboa pode atingir o patamar de 240 casos por 100 mil habitantes dentro de duas a três semanas.

Afirma, por isso, que dada a densidade populacional e os movimentos pendulares desta região, esta é uma situação que “desperta maior preocupação”, já que nos últimos dias se registou uma dispersão da incidência para as freguesias da periferia da cidade.

“As maiores incidências concentram-se nas freguesias do centro da cidade, mas ao longo dos últimos dias houve dispersão para freguesias circundantes, da periferia da cidade e inclusive outros concelhos”, explica.

O especialista da DGS diz ainda que a faixa etária mais afetada em Lisboa, a esta altura, é a dos 20 aos 40 anos.

Reforço da testagem com unidades móveis

O presidente do Instituto Ricardo Jorge, Fernando Almeida, anunciou esta terça-feira um reforço do programa de testagem, com maior atenção na região de Lisboa, de forma a que se torne possível atuar rapidamente para interromper cadeias de transmissão.

Para isso, para além da antecipação dos programas de testagem no ensino, serão destacadas unidades móveis para vários pontos da região, nomeadamente para atuar sobre a população mais vulnerável, sobre profissionais de entregas, TVDE e taxistas, assim como em zonas de grande circulação nos transportes públicos e no setor da restauração e hotelaria.

O reforço da testagem junto das populações vulneráveis será feito a partir de 27 de maio, com o apoio do INEM, junto de migrantes e requerentes de asilo. Os prestadores de entregas, condutores de TVDE e de táxis serão testados em proximidade, nos locais onde atuam, a partir de 28 de maio, em colaboração com a Câmara de Lisboa.

Nas zonas de grande concentração de jovens e jovens-adultos, nomeadamente Cais do Sodré e Bairro Alto, serão instaladas unidades móveis para “testar e sensibilizar para a necessidade de distanciamento social”.

O mesmo acontecerá com os transportes públicos, cujas zonas de grande circulação terão postos móveis de testagem, como é o caso da Gare do Oriente.

Na restauração, comércio e hotelaria, o presidente do Instituto Ricardo Jorge afirma que a partir de 31 de maio terá início um programa de testagem em zonas com grandes aglomerados também com equipas móveis.

Fernando Almeida diz o mais importante é sensibilizar, promover a testagem e a necessidade de “nos protegermos”.

Lisboa e Vale do Tejo concentra 43% dos casos do país nos últimos dias

Lisboa e Vale do Tejo é a região com mais casos de infeção com o vírus SARS-CoV-2 nos últimos nove dias, totalizando 1.588 casos, o que representa cerca de 43% do total no país no mesmo período.

Na primeira quinzena do mês - entre 2 e 16 de maio -, o Norte foi sempre a região de Portugal que registou mais casos, variando entre o mínimo de 86 no dia 3 e o máximo de 181 no dia 6.

A partir do dia 17 essa tendência inverteu-se e Lisboa e Vale do Tejo, com exceção do dia 20, passou a ser a região do país com maior número de casos notificados diariamente, tendo registado 175 hoje.

Nestes nove dias, o número de casos em Lisboa e Vale do Tejo oscilou entre o mínimo de 90 no dia 17 e o máximo de 277 no dia 21, totalizando 1.588 nesse período, ou seja, cerca de 43% dos 3.658 casos de covid-19 registados em todo o país entre 17 de maio e esta terça-feira.