País

Contratação de dez médicos no hospital de Setúbal: “Não adianta estar a tapar o sol com a peneira"

Jorge Roque da Cunha afirma que seriam necessários mais de 100 médicos "para que esta situação fosse ultrapassada".

A demissão dos mais de 80 médicos do Centro Hospitalar de Setúbal é o resultado de uma situação de rutura em vários serviços do hospital. Jorge Roque da Cunha, membro do Sindicato Independente dos Médicos, considera que os médicos têm vindo a alertar para esta situação há vários meses.

“A minha primeira palavra é de solidariedade para junto destes colegas que, na sua esmagadora maioria, representam as direções de serviço e que têm um único objetivo: exigir melhores condições de trabalho no hospital de Setúbal, um reforço do SNS. Não estou a pedir mundos e fundos, estou a pedir a concretização daquilo que é uma obrigação do Ministério da Saúde”, disse o sindicalista em entrevista à Edição do Meio-Dia da SIC Notícias.

Jorge Roque da Cunha lembra que os profissionais de saúde do hospital de Setúbal reuniram, há três meses, com o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, “onde foi mais uma vez feita a promessa do lançamento de um projeto que tem mais de oito anos de existência”.

Sobre o anúncio de abertura do processo para contratar dez médicos, Roque da Cunha destaca a palavra “anúncio” e lembra que apenas dois médicos foram contratados. Refere ainda que dez médico não é suficiente para colmatar a falta de profissionais de saúde no Centro Hospitalar de Setúbal.

“Estamos a falar de um universo de mais de 100 médicos que seriam necessários para que esta situação fosse ultrapassada. É fundamental tratar bem os médicos que lá estão, que estão exaustos, estamos a falar de pessoas que no ano passado nem tiveram férias, que têm centenas de horas extraordinárias, que trabalham todos os dias para garantir junto dos setubalenses que o hospital não morra”, afirma.

O sindicalista critica ainda o recurso do Ministério da Saúde a empresas de prestação de serviços que, afirma, não são solução para a falta de profissionais de saúde no Serviço Nacional de Saúde.

Não adianta estar a tapar o sol com a peneira. O serviço de urgência [do hospital de Setúbal] neste momento é segurando em 50% por prestadores de serviço. Um país, um Governo, que tenta resolver os problemas através de situações meramente extraordinárias – como é a contratação de empresas – estamos a falar de cerca de 150 milhões de euros que todos os anos o Estado despende nestes prestadores. Não é solução. A solução tem de ser investir no próprio hospital”, afirma.

Roque da Cunha destaca ainda que o “Ministério da Saúde tem obrigação de tratar da saúde dos portugueses”.

► Veja mais: