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Greve dos professores: reunião entre Governo e S.TO.P. termina sem acordo

Greve dos professores: reunião entre Governo e S.TO.P. termina sem acordo
JOSÉ SENA GOULÃO

A manifestação de professores marcada pelo S.TO.P. para dia 28 de janeiro, em Lisboa, mantém-se. Após as negociações com o Governo, Fenprof também manteve as greves distritais.

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André Pestana, presidente do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P.), anunciou, ao início da tarde desta sexta-feira, que a reunião com o ministro da Educação terminou sem acordo. Para já, mantém-se a greve agendada para dia 28 de janeiro. Também a Fenprof, o primeiro sindicato a reunir esta sexta-feira com João Costa, saiu desiludido do encontro e anunciou que mantém as greves distritais.

"Apesar do ministro da Educação constatar uma luta fortíssima (...), ficámos perplexos ao ver que o documento não tinha uma única linha relativamente às questões dos colegas não docentes", afirma.

O líder do S.TO.P salienta que a luta "não é só de professores", realçando por vários momentos a importância do pessoal não docente:

"Não tinha cedências em relação aos colegas não docentes. Relativamente aos docentes, não há sequer uma tentativa de aproximação ao que já temos em Portugal: os professores da Madeira e dos Açores - e bem - têm a contagem integral do seu tempo de serviço, não têm quotas de acesso ao 5.º e 7.º escalões (...). Não se entende, perante a mesma República, o mesmo serviço na escola pública, haja professores de primeira e de segunda".

André Pestana esclarece que se mantém a greve de 28 de janeiro, anunciada esta sexta-feira antes da reunião com o ministro da Educação.

Em declarações aos jornalistas à saída da reunião, André Pestana diz que "lhe parece que o ministro está a reparar na força gigantesca". No entanto, não o suficiente e, por isso, mantém o protesto "gigantesco", como lhe chama, marcado para dia 28 de janeiro e que vai contar com outros setores, como profissionais de saúde e forças de segurança.

"Acho que o Governo está a começar a perceber que esta é uma luta diferente. Pela primeira vez temos uma unidade histórica dos colegas docentes e não docentes que é, no fundo, o trabalho de esquipa que existe diariamente".

O líder do sindicato considera ainda que a luta dos professores está a ser um exemplo para outros setores.

As negociações entre o Governo e as organizações sindicais do setor sobre o regime de concursos de professores prosseguiram esta sexta-feira. Decorre também um protesto junto ao Ministério da Educação. Esta é a terceira ronda de negociações, numa altura em que há uma forte contestação por todo o país.

Fenprof mantém greves distritais após negociações

A Fenprof acusou esta sexta-feira o ministro da Educação de ignorar as reivindicações dos professores e de desconhecer os problemas do setor. As negociações desta sexta-feira de manhã duraram cerca de uma hora e meia. No final da reunião, o secretário-geral da Fenprof anunciou que as greves distritais vão manter-se e apelou a uma forte adesão à manifestação nacional de 11 de fevereiro.

Vai ser apresentado, na próxima semana, um parecer sobre a proposta negocial do Governo, anunciou Mário Nogueira.

"Perante a quantidade de perguntas que colocámos ao Ministério da Educação, ficámos de enviar até quarta-feira um parecer em que possamos dizer o que concordamos e o que discordamos."

Ministro pede fim das greves

O Ministro da Educação, João Costa, apela ao fim das greves.

Após a reunião com o S.TO.P. e a Fenprof, diz que a maioria dos sindicatos reconhece a aproximação do Governo em relação a várias reivindicações e que, por isso, não faz sentido continuar a perturbar o sistema educativo.

"Do nosso lado, tem havido sempre boa-fé negocial e há o bom senso de apresentar propostas, propostas completas e que melhoram a vida dos professores".

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