Histórias de Lisboa

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Um dos principais opositores do Elevador da Glória era dono de um circo: “A nova linha impedia a passagem das jaulas com animais selvagens”

Neste episódio de ‘Histórias de Lisboa’, o jornalista Miguel Franco de Andrade conversa com a investigador João Firmino da Costa sobre os primórdios dos ascensores e elevadores de Lisboa

Elevador da Glória
Nuno Fox

Entre 1884 e 1901, Lisboa assiste à concretização de um sonho: a construção de uma rede de ascensores e elevadores que ousavam vencer as íngremes colinas que tanta moléstia causavam aos lisboetas e sofrimento ao transporte de tração animal. Inspirados nas inovações importadas dos Estados Unidos e no centro da Europa, e tendo como exemplo o funicular do Bom Jesus de Braga já em funcionamento desde 1882, os primitivos veículos eram movidos através de mecanismos de contrapeso de água e a vapor, o que obrigava a paragens frequentes sobretudo nos meses de verão, quando rareava a água.

Arquivo Municipal de Lisboa

O primeiro a ser projetado foi o da Glória, mas acabaria por caber ao do Lavra (1884), na colina oposta da Avenida da Liberdade, as honras de pioneiro da capital. Dois anos mais tarde, a 24 de outubro de 1885, no dia da abertura do Elevador da Glória, compareceram algumas das figuras mais importantes da cidade. As fotografias e gravuras da época mostram algumas das figuras mais importantes da cidade, com chapéu alto e fatos de gala, a empreenderam a viagem inaugural dos Restauradores ao Bairro Alto. Algumas utilizaram o piso superior descoberto, a “Imperial”, que caracterizava, então, o carro da Glória.

TOMAS ALMEIDA

Iniciava-se um período de cerca de 20 anos marcado pela expansão da rede, com linhas concessionadas pela Câmara Municipal a empresas privadas, obras de engenharia que viriam a irromper pelas colinas e por alguns dos bairros populares. Estrela, Chiado, Bica, Mouraria e Graça passariam a estar servidas por elevadores e ascensores, alguns descrevendo por vezes curvas surpreendentes para uma tecnologia concebida para ruas tendencialmente ortogonais, causando espanto, muitos percalços e alguns acidentes.


A última das linhas, a extinta carreira do Rossio a São Sebastião da Pedreira, viria a ser inaugurada quando a eletrificação, no início do século XX, tornava já obsoleta e ultrapassada a velha tecnologia dos elevadores de Lisboa. Terminava o reinado dos pioneiros ascensores da capital, já então apelidados, na gíria lisboeta de então, como “maximbombos", “coisas podres”, “a cair de miséria” e a “atravessar as ruas da cidade aos tombos, a chiar desesperadamente sobre as calhas tortuosas”.

Neste episódio de ‘Histórias de Lisboa’, o jornalista Miguel Franco de Andrade conversa com o investigador João Firmino da Costa sobre a extraordinária viagem dos elevadores e ascensores de Lisboa.

Histórias de Lisboa é um podcast semanal do jornalista da SIC Miguel Franco de Andrade com sonoplastia de Salomé Rita e genérico de Nuno Rosa e Maria Antónia Mendes. A capa é de Tiago Pereira Santos em azulejo da cozinha do Museu da Cidade - Palácio Pimenta.

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