Histórias de Lisboa

“O rio Tejo abriu-se ao meio, dividiu as águas e mostrou o leito de areia”: os relatos do terramoto (desconhecido) de 26 de janeiro de 1531

Neste episódio de ‘Histórias de Lisboa’, o jornalista Miguel Franco de Andrade conversa com Miguel Miranda, geofísico e especialista em tsunamis, sobre um dos sismos mais desconhecidos de Lisboa, o terramoto de 26 de janeiro de 1531.

Aconteceu há 495 anos, um dos terramotos mais violentos de Lisboa. O sismo de 1531 foi descrito por alguns dos cronistas mais influentes da época, devido aos efeitos destrutivos na cidade. Estima-se que o abalo (e as sucessivas réplicas) provocaram a morte de milhares de pessoas, quer no momento do primeiro sismo, quer nos meses seguintes. Muitos edifícios da cidade ruíram, inclusive uma parte do Paço Real da Ribeira.

Matilde Fieschi

O abalo principal terá ocorrido de madrugada, entre as 4 e as 5 da manhã. Conta Garcia de Resende, cronista da casa real, então com 61 anos: “Veio primeiro um raio/após ele um trovão/ e grande terramoto então (…) Obra de um credo durou, se mais fora destruíra tudo”. Por toda a cidade surgiram fendas e cheiro a enxofre. E consta que no Tejo, as águas se abriram e o rio "mostrou o leito de areia".

Matilde Fieschi

Em pleno inverno, os sobreviventes resistiram às réplicas que duraram meses. Houve doenças, pestes e perseguições contra minorias populacionais, nomeadamente judeus e cristãos-novos; os mesmos que já tinham sido sujeitos, poucas décadas antes, a um édito de expulsão do reino e a conversões forçadas. O “pai do teatro português”, Gil Vicente, então com 66 anos, escreveu uma carta ao rei D. João III em que alertava contra as ações fanáticas dos padres de Santarém, que responsabilizavam “estrangeiros da nossa fé” por todos os males do Reino.

Neste episódio de ‘Histórias de Lisboa’, o jornalista Miguel Franco de Andrade conversa com o geofísico Miguel Miranda sobre um dos sismos mais desconhecidos de Lisboa, o terramoto de 26 de janeiro de 1531.

Histórias de Lisboa é um podcast semanal do jornalista da SIC Miguel Franco de Andrade com sonoplastia de Salomé Rita e genérico de Nuno Rosa e Maria Antónia Mendes. A capa é de Tiago Pereira Santos em azulejo da cozinha do Museu da Cidade - Palácio Pimenta.

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