O Futuro do Futuro

E se os velhinhos ‘pelados’ fossem usados para construir casas? “O campo de futebol da minha infância está abandonado, há milhares assim”

Como é que impressoras 3D podem ajudar a resolver a crise da habitação em Portugal? Esse é o mote da conversa com José Maria Ferreira, CEO e fundador da Havelar, startup portuguesa que tem construído casas “em metade do tempo e a metade do preço”

A crise da habitação continua entre as maiores preocupações dos portugueses, em especial os mais jovens. José Maria Ferreira, CEO e fundador da Havelar, empresa que se lançou na construção de casas através de impressoras 3D, acredita que espaços atualmente desocupados podem ser usados para isso, e tem uma proposta original: usar o campos de futebol abandonados espalhados pelo país.
“O campo de futebol da minha infância está abandonado”, recorda, sublinhando que a situação não é exceção: “Há milhares assim”, diz, defendendo que estes espaços, esquecidos há décadas, podiam ser rapidamente convertidos em zonas de habitação, até pelas suas boas condições, nomeadamente serem amplos e planos, já terem infraestruturas como água e acessos, e representarem terrenos de implantação imediata, um trunfo raro na construção tradicional. “São sítios onde se construía rapidamente”, explica o empresário.
Matilde Fieschi
A sugestão ganha ainda mais potencialidades quando articulada com o modelo de construção que a Havelar tem vindo a desenvolver: casas impressas em 3D, construídas em prazos curtos e com custos substancialmente inferiores aos da construção convencional. “Estamos a falar em dias, não em anos”, afirma Ferreira, lembrando que num projeto recente foi possível construir 32 casas em apenas cinco meses — um prazo impossível através dos métodos tradicionais.
Como é que impressoras 3D podem ajudar a resolver a crise da habitação em Portugal? Esse é o mote da conversa com José Maria Ferreira, CEO e fundador da Havelar, startup portuguesa que tem construindo casas “em metade do tempo e a metade do preço” graças a esta inovação tecnológica. Pode ouvir tudo neste episódio d'O Futuro do Futuro, disponível nos sites do Expresso, da SICe da SIC Notícias e nas principais plataformas de podcasts.

“Eu nunca vendi uma janela nova a ninguém”

Relata também que avançou para este negócio a partir de uma frustração com o seu trabalho anterior, na área da caixilharia. “Eu nunca vendi uma janela nova a ninguém", conta. E porquê? O tempo de uma construção tradicional faz com que os materiais envelheçam antes de serem usados pelo cliente final. O que não acontece com uma habitação construída em impressão 3D.

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