Nasredes sociais têm circulado publicações em que é dito que "Rui Cristina, presidente da Câmara de Albufeira pelo Chega, decidiu levar a política local para outro nível: colocou a própria irmã como adjunta no gabinete de apoio aos vereadores".
Poucos dias depois de ter tomado posse como presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina envolveu-se numa polémica após saber-se que a irmã, Sara Cristina, ia assumir as funções de adjunta no gabinete de apoio aos vereadores.
"Sei que todos os presidentes de Câmara gostariam de ter uma irmã qualificada como esta para trabalhar em prol dos munícipes", disse o autarca numa Assembleia Municipal em 30 de dezembro, salientando que Sara Cristina "ingressou em regime de mobilidade" vinda da Câmara de Loulé.
A entrada de Sara Cristina não foi formalizada diretamente pelo presidente da Câmara Municipal, mas através da vereadora responsável pelos Recursos Humanos, Cristina Corado, durante a reunião do executivo de 16 de dezembro de 2025, na qual Rui Cristina não esteve presente.
Numdocumento no âmbito da reunião de Câmara desse mesmo dia, pode ler-se que a função de Sara Cristina é de coordenação, como adjunta no gabinete de apoio aos vereadores, tratando-se de um processo de mobilidade dentro da função pública, ou seja, não constitui uma nova contratação ou uma nomeação política.
Na reunião da Assembleia Municipal de Albufeira de 30 de dezembro, Rui Cristina reiterou que a entrada da irmã seguiu um "procedimento administrativo sustentado na avaliação do mérito e das competências curriculares" e sublinhou que "a engenheira Sara Cristina ingressou na Câmara em regime de mobilidade", declarações que pode ouvir no vídeo abaixo a partir do minuto 34:32).
"Assim, não se trata de uma nomeação política. É má fé afirmar nomeação política. O seu currículo permite comprovar a experiência e as qualificações adequadas às funções de Adjunta da Vereação, assegurando-se a observância dos princípios de transparência, lealdade e rigor na atuação municipal, com finalidade de assegurar a eficácia dos serviços em prol dos munícipes".
O autarca explicou ainda que todos os documentos e fundamentos do processo podem ser consultados e que "existem os trâmites legais" para qualquer esclarecimento.
Rui Cristina destacou também as habilitações da irmã - incluindo Licenciatura em Engenharia Civil, que a SIC confirmou no site da Ordem dos Engenheiros -, várias pós-graduações e experiência na Câmara Municipal de Loulé, onde estava desde 2007.
É importante salientar que a ligação política à irmã não é de agora. Rui Cristina e Sara Cristina concorreram, nas eleições autárquicas de 2021, a diferentes cargos na Câmara Municipal de Loulé, ainda pelo PSD.
A SIC tentou contactar a Câmara Municipal de Albufeira e o presidente Rui Cristina para obter esclarecimentos adicionais sobre o caso, mas, até ao momento da publicação deste artigo, não obteve resposta.
Este não é o primeiro caso dentro do Chega
Desde que entrou no Parlamento, o Chega tem mantido uma linha política centrada no combate ao chamado “familygate”, através da apresentação de várias iniciativas parlamentares sobre o tema.
Recorde-se que, em 2019, o partido apresentou o conhecido “Projeto Mortágua” e, em 2022, voltou a insistir com uma proposta que pretendia limitar relações comerciais entre titulares de cargos políticos ou altos cargos públicos e familiares.
No entanto, segundo uma investigação do jornal Observador, publicada em 2022, essa posição defendida por André Ventura desde o início contrasta com a existência de casos que envolvem familiares em diferentes estruturas locais do partido, bem como nos próprios órgãos nacionais.
A SIC Verifica que é...
É verdade que o Chega sempre criticou as ligações familiares na política, especialmente em órgãos públicos e executivos exercidos por eleitos. Mas, neste caso, apesar de Rui Cristina ter a irmã a trabalhar para o executivo que lidera em Albufeira, não se trata de uma nomeação direta. É, juridicamente, uma caso de mobilidade na função pública.
