Desporto

Assédio sexual: Sindicato dos Jogadores recebe mais denúncias contra Miguel Afonso e Samuel Costa

Entrevista SIC Notícias

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O presidente do sindicato critica a forma como "a sociedade aceita, muitas vezes, este comportamento".

Várias jogadoras denunciaram situações de abuso sexual no futebol feminino português. Desde que foram tornadas públicas as denúncias contra Miguel Afonso, treinador do Famalicão, o Sindicato dos Jogadores afirma que, já foram recebidas mais queixas que visam também Samuel Costa, diretor executivo do clube.

“Há várias [denúncias] neste momento a ocorrer. Outro grupo de jovens jogadoras fizeram as denúncias através do sindicato, mas pelas notícias públicas são cada vez mais. Reportavam-se ao mesmo treinador e a outra pessoa que o acompanha”, disse Joaquim Evangelista, presidente do sindicato, em entrevista à Edição da Tarde da SIC Notícias. Confirma que “a outra pessoa” é Samuel Costa.

Depois de ter sido instaurado um processo contra Miguel Afonso, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) divulgou que Samuel Costa, que à data das acusações estava no Vitória de Guimarães, é também alvo de processo disciplinar.

Joaquim Evangelista condena “veemente este tipo de atos no futebol português e na sociedade em geral”, solidarizando-se com as vítimas. Critica a forma como “a sociedade aceita, muitas das vezes, este comportamento”.

O representante sindical espera “que este movimento possa de alguma forma denunciar este tipo de situações no futebol português e tornar o futebol mais civilizado”.

“Este caso é público, mas infelizmente é recorrente no futebol português. Nós temos tido várias denúncias. Não têm sido públicas porque as jogadoras, muitas vezes, pedem o anonimato e não querem ser confrontadas com o tema, na medida em que há represálias do ponto de vista laboral e social. Muitas delas até agora têm evitado falar sobre o assunto”.

Sobre a decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) de criar uma equipa especial para tratar dos processos instaurados na sequência das denúncias, Joaquim Evangelista considera a medida positiva. Defende também que seria “importante criar nos clubes um protocolo” para ativar em casos de assédio sexual.

“Há sinais que, muitas das vezes, são evidentes deste tipo de comportamentos, mas não há consequências. Era preciso formar pessoas, criar um elemento de prevenção, um técnico especializado para ajudar a fazer a ligação às autoridades”, explica.

O Sindicato dos Jogadores oferece apoio psicológico e jurídico aos jogadores que denunciem casos de assédio sexual, podendo também encaminhar a vítima para a APAV.