Rui Costa, o homem que ainda se senta na cadeira do poder e que espera por lá continuar durante, pelo menos, mais quatro anos está nos estúdios da SIC quando faltam 10 dias para o 'Dia D'. Numa altura que enfrenta alguma contestação no seio do universo benfiquista, o ex-jogador procura mostrar que é, entre os seis candidatos, o que reúne mais e melhores condições para liderar o clube.
O recandidato à presidência encarnada crê que não colocou a fasquia demasiado elevada quando disse que será melhor presidente do que foi jogador.
Lembra que passou 20 anos ligado ao futebol, dentro de campo, e define que tem como objetivo passar também muitos anos à frente do clube que representou em tempos. Apela, por isso, aos benfiquistas para que confiem no seu projeto:
"Votar em mim é votar no futuro do Benfica, é votar no projeto futuro do clube: uma equipa completamente nova".
Agradece aos profissionais que o acompanharam nos últimos quatro anos e que, agora, abandonam a estrutura do clube, mas justifica a decisão dizendo que entendeu que deveria construir "outra equipa com novas nuances".
"Jamais ocuparia um cargo se não me sentisse preparado"
Quando Rui Costa disse que não se sentia preparado, quando ocupou o cargo após a saída de Luís Filipe Vieira, não pretendia passar a imagem, justifica, de que não tinha as competências necessárias para a função, mas sim que tudo ocorreu de forma muito urgente.
"O Benfica precisava de apresentar um presidente naquele momento e, evidentemente, jamais ocuparia um cargo se não me sentisse preparado para aceitar esta responsabilidade", garante.
Chuta para canto as críticas que apontam que é "pouco firme" e diz mesmo que não tem qualquer problema em tomar decisões e assumir responsabilidades.
"Não me revejo nessa frase", acrescenta.
Rui Costa, que nega entrar em disputas com os restantes candidatos, em concreto com Luís Filipe Vieira, explica que, quando era vice-presidente do clube, fazia apenas o que lhe era pedido, negando, por isso, a alegação do ex-presidente de que não estaria a par do que se passava no clube.
Quando subiu na hierarquia encarnada, explica, fez "uma revolução praticamente completa naquilo que era a estruturação do plantel do Benfica". Não fez, no entanto, no imediato alterações profundas na estrutura do clube, uma decisão que explica:
"Eu segui com uma equipa que estava montada, que estava preparada e que sabia aquilo que eram os destinos do clube. Paulatinamente fui mudando aquilo que entendi até chegar ao dia de hoje e criar até uma equipa nova."
Equipa essa que é composta exclusivamente por pessoas da sua confiança, assume.
"O Benfica precisava de alguém que desse a cara pelo clube"
Nega também que tenha traído Luís Filipe ao ocupar a sua cadeira até porque, afirma, não podia "abandonar o Benfica".
"Naquele momento, o Benfica precisava de alguém que desse a cara pelo clube. E foi isso que eu fiz. Não sou um herói, não me considero um herói, longe disso, mas jamais podia ter dito que não ao Benfica naquele momento. Jamais podia ter dito que não assumia essa responsabilidade", completa.
A contratação de José Mourinho, que chegou ao reino da Luz para substituir Bruno Lage, foi uma das suas medidas mais mediáticas enquanto líder do emblema lisboeta. No contrato do treinador está estipulada uma cláusula de rescisão que entra em vigor a meio dos dois anos do acordo.
O presidente do Benfica explica que essa cláusula tem que ver "com o período eleitoral" e não com a antecipação de uma saída antecipada do técnico:
"E eu agradeço muito, já o agradeci mais do que uma vez publicamente a José Mourinho, por ter percebido em que momento nós estávamos em termos de clube e perceber que pode haver um outro candidato que pudesse ganhar umas eleições e pudesse tomar essa decisão no final da época que vem."
Rejeita, por isso, a tese de que a cláusula de rescisão do 'special one' esteja relacionada com uma eventual saída para a Seleção Nacional.
O Benfica terá de pagar, dentro de pouco tempo, uma dívida de 100 milhões de euros, mas o presidente encarnado assegura que o Benfica "não passa por problemas financeiros" e "sabe o que está a fazer financeiramente".
Por essa razão, tranquiliza os sócios dizendo que a dívida será saldada e, se for necessário, terá estofo financeiro para atacar o mercado de janeiro.
"Não deixa de me criar alguma mágoa"
O recandidato à presidência lamenta que tenha vindo a ser alvo de ataques pessoas por parte doutros candidatos:
"Continuarei a fazer o meu caminho, continuarei a fazer a minha campanha eleitoral com o máximo de respeito pelos benfiquistas e também querendo ter o máximo de respeito por todos os candidatos que muitas vezes falam da minha pessoa de uma forma que não deixa de me criar alguma mágoa."
Algo em que insiste é na questão de considerar que o Benfica tem vindo a ser prejudicado pela arbitragem.
"Aquilo que nós consideramos é que, em muitas situações, o Benfica foi prejudicado. Quer na final da época passada, nem vale a pena recordarmos aqui aquilo que se passou na Taça de Portugal, e agora estamos a falar em poucos títulos, e esse título, por exemplo, é-nos retirado, como eu costumo, do Cosme Damião com a Taça já lá dentro", acusa.
Numa altura de especial crispação entre "três grandes", Rui Costa garante não está de relações cortadas com os homólogos dos clubes rivais, apesar de reconhecer que "as relações estão mais acesas".
Novamente sobre os ataques pessoas, desta feita especificamente de Luís Filipe Vieira, que acusou o seu sucessor, entre outras coisas, de "não saber nada", "chegar sempre atrasado" e ser "calão", "incompetente", "ignorante" e "traidor".
"Mas a única resposta que isso me merece é que, se uma pessoa me diz isso tudo sobre mim, porquê é que me teve lá tantos anos? Porque se ele considera que eu seja essa pessoa, porquê é que me teve lá tantos anos? Essa é a pergunta que lhe tenho que fazer", deixa a questão.
Confia abaixo a entrevista alargada a Rui Costa na SIC Notícias.
