Eleições Autárquicas

“Não houve nenhuma retração do Chega, não enfiemos a cabeça debaixo da areia”

Pedro Nuno Santos crê, em contrapartida, que André Ventura cometeu um erro ao definir como objetivo eleger um elevado número de câmaras, quando, na verdade, conhece mal a realidade do poder local.  

“Não houve nenhuma retração do Chega, não enfiemos a cabeça debaixo da areia”
JOSÉ SENA GOULÃO/Lusa

Pedro Nuno Santos, ex-secretário-geral do PS, diz que não houve nenhuma retração do Chega nestas autárquicas e que os resultados, vistos por muitos como negativos, não devem ser confundidos com os das eleições legislativas.

Numa publicação nas redes sociais, o antigo secretário-geral socialista diz que não se pode comparar as autárquicas com as legislativas porque são eleições distintas. 

“É mais conveniente compararmos estas eleições autárquicas com as últimas eleições legislativas, mas como diz o ditado, é comparar alhos com bugalhos. São duas eleições de natureza distinta, em que os temas em jogo são muito diferentes. Se quisermos comparar com as últimas legislativas, então teríamos de concluir que o grande vencedor da noite teria sido o PCP, porque teria conseguido duplicar a votação de maio para outubro. Em maio teve 3% dos votos (183 741) e ontem teve quase 6% (316 271 votos). Ora, afirmar isto seria ridículo. O PCP, tal como a restante esquerda, está em retração e teve perdas consideráveis”, lê-se na publicação. 

O antigo ministro diz que André Ventura cometeu um erro ao definir como objetivo eleger um elevado número de câmaras, quando, na verdade, conhece mal a realidade do poder local.  

“Um partido não se faz no plano autárquico ao mesmo ritmo que se faz a nível nacional”, acrescenta. 

Avisa ainda que o Chega consolidou a posição na maior área metropolitana do país, Lisboa, e no distrito de Setúbal, “onde são a segunda força política”. 

Termina a dizer que não houve nenhuma retração do chega e que não se deve enfiar a cabeça debaixo da areia.