Cimeira do Clima COP26

COP26: as consequências do aumento da temperatura no mundo

Subida das águas do mar em Rohjan, Paquistão

Khalid Tanveer / AP

O que acontece no planeta se as temperaturas aumentarem mais do que 1,5ºC.

Em 2021 são já poucos os cantos do mundo que podem dizer que não sentem as consequências das alterações climáticas. Dos violentos fogos na Califórnia e na Austrália, ao degelo no Ártico e na Antártica, às inundações sem precedentes na Europa e na China, a verdade é inegável.

  • A mudança climática já está a afetar a maioria da população mundial

Os efeitos das alterações climáticas já têm impacto sobre 85% da população mundial, revelou uma análise feita por uma equipa de investigadores do Instituto Mercator a cerca de 100 mil estudos publicados entre 1951 e 2018.

"Temos provas esmagadoras de que as alterações climáticas afetam todos os continentes, todos os sistemas", afirma o autor principal do estudo, Max Callaghan.

Max Callaghan e os colegas do Mercator Research Institute, com sede em Berlim, fizeram um mapa do globo e dos impactos das alterações climáticas. Concluíram que 80% da Terra, onde reside 85% da população mundial, é afetada nos estudos que prevêem mudanças de temperatura e precipitação associadas ao aquecimento global.

Das inundações e erosão costeira na Libéria à seca em Madagáscar: como as alterações climáticas estão a afetar África.

  • A subida dos mares continuará durante séculos

Mesmo que a humanidade consiga limitar o aquecimento a 1,5°C em comparação com a era pré-industrial, o nível do mar vai subir durante séculos, inundando cidades atualmente habitadas por 500 milhões de pessoas, revela um estudo publicado na revista Environmental Research Letters.

Se o planeta aquecer meio grau a mais (2ºC acima do valor antes do século XIX), mais 200 milhões de pessoas a viver em cidades serão regularmente afetadas por inundações e ficarão mais vulneráveis ​​durante as tempestades.

A Ásia será a mais duramente atingida, tem 9 das 10 megalópoles do mundo em risco.

Cheias no centro da China em julho de 2021

A maioria das estimativas sobre o aumento do nível do mar e a ameaça que representa para as cidades costeiras vão até ao fim do século XXI e estimam entre uma subida de meio metro até menos de um metro.

Mas o fenómeno continuará além de 2100 com o aquecimento das águas e com o degelo, independentemente da velocidade de redução das emissões de gases com efeito de estufa.

"Cerca de 5% da população mundial vive atualmente em terras que estão abaixo do nível que será alcançado na maré alta [no futuro] devido ao dióxido de carbono já acumulado na atmosfera pela atividade humana", disse a AFP o investigador principal da organização independente de jornalistas e cientistas Climate Central.

A concentração atual de CO2 é 50% superior a 1800 e a temperatura média à superfície da Terra aumentou 1,1°C.

É o suficiente para aumentar o nível do mar em quase dois metros, quer demore dois ou dez séculos.

Se for alcançado o aumento de temperatura de 1,5ºC, como meta estabelecida no Acordo de Paris, a longo prazo o nível do mar aumentará três metros, revela este estudo.

  • Os glaciares estão a derreter

Os glaciares suíços perderam 1% de seu volume em 2021, apesar da forte queda de neve e de um verão frio, revelou a Academia Suíça de Ciências em outubro.

“Embora em 2021 haja uma menor perda de gelo desde 2013, não há desaceleração à vista para o degelo dos glaciares” em período de alterações climáticas, segundo os especialistas da rede que faz a monitorização dos glaciares.

Apesar de o clima de 2021 ter dado uma "trégua", "infelizmente, em tempos de mudança climática, mesmo um ano 'bom' não é suficiente para os glaciares”, sublinham. A perda de volume "continuou, embora menos rapidamente, apesar da forte queda de neve no inverno e de um verão relativamente frio e instável".

Mas "o degelo foi considerável no final de setembro e cerca de 400 milhões de toneladas de gelo foram perdidas em toda a Suíça nos últimos 12 meses, ou quase 1% do volume restante de gelo".

Os 22 glaciares monitorizados pela rede suíça GLAMOS "documentam a perda de gelo" e nenhum ganho em nenhum deles.

As barreiras de gelo da Antártica, uma extensão das glaciares no oceano, estão a ficar enfraquecidas pelo aquecimento global. Se cederem, enormes massas de gelo transformam-se em água, elevando o nível do mar em vários metros.

No Ártico, o "permafrost", o solo permanentemente gelado, descongela. E poderá libertar na atmosfera milhares de milhões de toneladas de CO2 que aí estão armazenados.

Consequência do aquecimento global na Gronelândia

  • O aquecimento global vai acentuar as consequências das erupções vulcânicas

"As erupções terão efeitos maiores à medida que o clima continua a aquecer", segundo um estudo da Universidade de Cambridge e da Agência Meteorológica Britânica.

As nuvens de cinzas e gás emitidas por grandes erupções vulcânicas vão subir cada vez mais na atmosfera e espalhar-se mais rapidamente pelo planeta.

O efeito combinado destes dois fenómenos impedirá ainda mais a luz solar de atingir a superfície da Terra, o que "ampliará enormemente os efeitos do arrefecimento temporário" que ocorre após uma erupção, um aumento na ordem de 15%.

Por outro lado, nas erupções menos fortes, o aquecimento global reduzirá em 75% os efeitos do arrefecimento temporário.

A fusão das calotas polares também deve "aumentar a frequência e o tamanho das erupções vulcânicas em lugares como a Islândia".

Vulcão Cumbre Vieja, La Palma, entrou em erupção em setembro de 2021

O que acontece num mundo com +1,5ºC

O acordo sobre o clima alcançado em 2015, e assinado pela quase totalidade dos países do mundo, visa limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C e se possível abaixo de 1,5°C em relação à era pré-industrial. Esse meio grau centígrado de diferença pode mudar tudo.

Veja também:

Links úteis