Coronavírus

Artistas apelam ao Facebook e à Google para que criem apoios para a Cultura em Portugal

Lindsey Wasson / Reuters

Muitos artistas recorrem às plataformas digitais gerando tráfego e não recebendo contrapartidas.

Saiba mais...

Mais de uma centena de artistas portugueses, entidades e outros profissionais ligados à Cultura subscreveram um manifesto a apelar ao Facebook e à Google para que criem apoios ao setor em Portugal.

“A comunidade artística portuguesa juntou-se para sensibilizar o Facebook e a Google a criarem plataformas de apoio aos artistas e às entidades que programam e pensam a cultura no nosso país”, lê-se no manifesto, divulgado hoje pela plataforma Gerador, um dos subscritores, no seu 'site'.

Além da Gerador, o manifesto é subscrito por entidades como A.M.A.E.I. – Associação de Músicos Artistas e Editoras Independentes, Anjos70 – Espaço Cultural, BoCA – Biennial of Contemporary Arts, Companhia de Dança Contemporânea de Évora, FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, Galeria Zé dos Bois, LAC – Laboratório de Actividades Criativas, LARGO Residências, Gnration, Maus Hábitos, Espaço de Intervenção Cultural e Teatro Regional da Serra do Montemuro.

Entre os artistas subscritores estão músicos como Joana Gama, Lena D’Água, Noiserv, Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e Tó Trips, atores, entre os quais André Gago e Cristóvão Campos, artistas visuais e urbanos, como Catarina Glam, Contra, Vanessa Teodoro ou Daniel Eime, e coreógrafos, como Rui Horta.

Os subscritores recordam que, em resposta ao confinamento social:

“Muitos artistas e entidades culturais começaram, neste período, a investir de uma forma extraordinária em plataformas como o Facebook ou o Instagram, para ganharem a atenção do público e encontrarem soluções alternativas para levar cultura às pessoas que não passem pela via presencial: desde concertos, festivais, performances, iniciativas de diversas dimensões artísticas que são, no geral, gratuitas para o público”.

Dessa maneira, sublinham:

“artistas e entidades culturais passaram a ser, através das suas páginas, um canal reforçado de tráfego para estas plataformas sem, no entanto, receberem qualquer benefício financeiro com esse esforço”.

Em troca, os subscritores apelam à criação de:

“um fundo de apoio à concretização de projetos culturais, a serem implementados por artistas ou entidades”.

Além disso, pedem também que seja criada “a possibilidade de entidades e artistas promoverem gratuitamente conteúdos nestas plataformas, nomeadamente através da existência de um plafond mensal que lhes possa ser atribuído”.

Os subscritores do manifesto lembram que, de acordo com o próprio Facebook, “nos países mais atingidos pela Covid-19, a troca de mensagens nas suas plataformas cresceu mais de 50% no último mês, as mensagens de voz e vídeo chamadas mais do que duplicaram no Messenger e no Whatsapp e, em Itália, especificamente, houve um aumento de 70% na utilização das 'apps' da empresa desde que a crise atingiu o país”.

“Adicionalmente, ainda em Itália, as visualizações dos diretos no Facebook e Instagram duplicaram numa semana”, acrescentam.

Isso levou a que, com o “colapso do investimento das entidades nos meios publicitários tradicionais, como o exterior ou a imprensa em papel, seja natural que exista uma captura de uma percentagem significativa dos investimentos que antes eram dispersos por vários canais, como os que referimos em cima, por parte de entidades como o Facebook ou a Google”.

Os artistas e entidades culturais pedem ainda que os programas de apoio que propõem “não sejam entendidos como pontuais e exclusivos deste período frágil”, mas sim como um caminho para continuar a ser percorrido no futuro.

“Este manifesto vem ainda reforçar o que tem vindo a ser trabalhado no seguimento da diretiva sobre os direitos de autor no mercado único digital, aprovada pelo Parlamento Europeu em março de 2019 e que procura assegurar a melhor aplicação dos direitos de autor nas grandes plataformas digitais e agregadores de conteúdos como o Facebook, Google News ou YouTube, nomeadamente através de acordos de remuneração e reforço dos direitos de negociação dos criadores que se tenham identificado como proprietários de uma obra”, referem.

Os subscritores salientam que “uma crise como a de hoje acentua as fragilidades da relação destas plataformas com os criadores, cujo trabalho já há muito tempo é, por elas, monetizado”.

Segundo a Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos, entre 08 de março e 31 de maio foram cancelados, adiados ou suspensos 24.815 espetáculos em Portugal, por causa das medidas de contenção da epidemia da covid-19. O número foi revelado em 03 de abril e a associação alertava que poderia "aumentar exponencialmente" nas semanas seguintes.

Mais de metade da população mundial sem sair de casa

Para combater a pandemia da covid-19, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram entretanto a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos, como Dinamarca, Áustria, Espanha ou Alemanha, a aliviar algumas das medidas.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o decreto presidencial que prolongou a medida até 02 de maio prevê a possibilidade de uma "abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais".

Portugal regista 785 mortos por Covid-19 e 21.982 casos

Portugal, segundo o boletim hoje divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia, regista 785 mortos associados à covid-19 em 21.982 casos confirmados de infeção. Relativamente ao dia anterior, há mais 23 mortos (+3%) e mais 603 casos de infeção (+2,8%).

O número de casos recuperados subiu de 917 para 1.143.

Há 1.146 doentes internados, 207 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (454), seguida da região Centro (175), de Lisboa e Vale Tejo (138), do Algarve (11), dos Açores (6) e do Atentejo, que regista um morto, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de terça-feira.

SIGA AQUI AO MINUTO AS ÚLTIMAS INFORMAÇÕES SOBRE O NOVO CORONAVÍRUS

ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

Quase 178 mil mortos e mais de 2,5 milhões de infetados em todo mundo

A pandemia de covid-19 já matou quase 178 mil pessoas e há mais de 2,5 milhões de infetados em todo o mundo, desde que surgiu em dezembro na China, segundo um balanço da AFP às 11:00.

De acordo com os dados da agência de notícias francesa, a partir de dados oficiais, foram registadas 177.822 mortos e mais de 2.571.880 infetados em 193 países.

Pelo menos 583.000 foram consideradas curadas pelas autoridades de saúde.

Os Estados Unidos, que registaram a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, lideram em número de mortos e casos, com 45.075 mortos para 825.306 casos.

Pelo menos 75.673 pessoas foram declaradas curadas pelas autoridades de saúde nos Estados Unidos.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são Itália, com 24.648 mortos em 183.957 casos, Espanha com 21.717 óbitos (208.389 casos), França com 20.796 (158.050 casos) e Reino Unido com 17.337 mortos (129.044 casos).

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 82.788 casos (30 novos entre terça-feira e hoje), incluindo 4.632 mortes e 77.151 curados.

Até às 11:00 de hoje, a Europa totalizou 110.522 mortos para 1.248.469 casos, Estados Unidos e Canadá 46.985 mortos (863.728 casos), Ásia 7.372 mortos (176.914 casos), Médio Oriente 5.886 mortos (134.870 casos), América Latina e Caraíbas 5.767 mortos (115.347 casos), África 1.195 mortos (24.611 casos) e Oceânia 95 mortos (7.942 casos).

  • Dez dicas para pais, alunos e escolas no regresso às aulas

    País

    O regresso à escola é sempre desafiante para pais, crianças e professores. Os novos começos não são fáceis e, por isso, às vezes é bom contar com ajuda. Reunimos dez dicas: cinco de um professor e cinco de uma psicóloga que podem ser usadas como um guia prático para quem quer entrar com o pé direito no novo ano letivo.

    Ana Luísa Monteiro