Coronavírus

"Camas existem, mas não há profissionais de saúde. Senão fazíamos dormitórios de doentes"

Entrevista à diretora do serviço de infecciologia do hospital Amadora/Sintra.

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Patrícia Pacheco, do gabinete de crise da Ordem dos Médicos e diretora do serviço de infecciologia do hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (Amadora/Sintra), não se surpreende com os dois mil novos casos de covid-19 registados esta quarta-feira em Portugal. Aliás, considera que hoje temos muito mais do que dois mil casos, visto que a taxa de positividade está nos 8% - há duas ou três semanas rondava os 2,5% - e que não houve qualquer alteração na política de rastreio ou de testagem.

Em relação às medidas anunciadas devido à situação de calamidade, refere que são importantes mas insuficientes. Em entrevista à SIC Notícias, critica o estilo comunicacional "ligeiro" do Governo e das autoridades saúde, chegando até a afirmar que "quase se sente a viver numa realidade paralela".

A ocupação dos hospitais tem sido um dos temas centrais nesta fase de evolução da pandemia. Para Patrícia Pacheco, o facto de existir camas não quer dizer nada porque não existem os recursos humanos para cuidar dos doentes.

"O caminho que se está a percorrer não é o ideal", afirmou a médica.

Realça também os problemas na coordenação entre hospitais que, segundo a própria não existe, contrariando as declarações da ministra da Saúde, Marta Temido. Os hospitais é que se coordenam individualmente e a solução, muitas vezes, "mais à mão" é suspender a atividade programada, como por exemplo, as cirurgias, tal como está a acontecer no hospital de S.João, no Porto, e que, segundo a médica, irá acontecer também no Amadora/Sintra.

"Mesmo os grandes hospitais não têm recursos inesgotáveis", explica.