Coronavírus

EMA aconselha médicos a não usar heparina para coágulos associados à vacina contra a covid-19

Alessandro Garofalo

A pacientes que tenham recebido as vacinas da AstraZeneca ou da Johnson & Johnson.

Saiba mais...

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) emitiu esta segunda-feira uma orientação para os médicos não usarem a heparina no tratamento de coágulos sanguíneos raros e baixo nível de plaquetas sanguíneas em pessoas que receberam a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca ou da Johnson & Johnson.

O regulador europeu de medicamentos refere as orientações provisórias da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostase (ISTH). Em abril, o ISTH concluiu que o tratamento "deve ser iniciado com [medicamentos] sem heparina anticoagulação que está sob suspeita" dados os casos de coágulos sanguíneos e baixa contagem de plaquetas associados a estas duas vacinas.

A recomendação da EMA na sequência das diretrizes do ISTH está em linha com as recomendações da Food and Drug Administration (FDA) e dos Centros de Controlo de Doenças, ambos dos EUA, que advertem contra o uso de heparina nesses casos, alegando que parece piorar a situação dos doentes.

De acordo com as diretrizes do ISTH, assim que for confirmado um caso de coágulos sanguíneos provocada pela vacina ou baixo nível de plaquetas baixas, os médicos devem continuar com anticoagulantes não heparinas, bem como considerar a administração de imunoglobulina intravenosa em altas doses, que também foi recomendada por médicos da Universidade Greifswald da Alemanha para ajudar a neutralizar os efeitos secundários raros, mas potencialmente mortais.

Até 28 de maio, um total de 316 casos de coágulos sanguíneos raros com plaquetas baixas foram registados em adultos que receberam a vacina da AstraZeneca na Zona Económica Europeia, segundo o regulador de medicamentos.

A EMA mantém no entanto a posição de que os benefícios gerais das vacinas da J&J e da AstraZeneca superam quaisquer riscos. Alguns países limitaram a idade de quem vai receber essa vacina ou outros, como a Dinamarca e a Noruega, pararam completamente com a sua administração.

Portugal chegou a suspender tendo depois retomado a inoculação após recomendação da Direção-geral da Saúde a 10 de março de 2021. A 8 de abril ficou decidido que esta vacina só seria administrada a pessoas com mais de 60 anos.

Médicos em todo o mundo continuam a investigar as possíveis causas da dos coágulos e de baixas plaquetas. Apontam para o vetor viral das vacinas, que transporta a informação genética para as células que produz proteínas do coronavírus que estimulam a resposta imunitária.

Vacinas contra a covid-19: as que estão a ser usadas e as que estão a caminho

Em menos de um ano desde que foi declarada a pandemia foram desenvolvidas várias vacinas em laboratórios por todo o mundo. A primeira vacina a obter autorização de emergência para inoculação foi a da Pfizer e BioNTech. O Reino Unido foi o primeiro país a aprovar esta vacina e a iniciar a campanha de vacinação, em dezembro de 2020.

Mais de 3,7 milhões de mortos no mundo

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.731.297 mortos no mundo, resultantes de mais de 173 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

A grande maioria dos pacientes recupera, mas uma parte evidencia sintomas por várias semanas ou até meses.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global