Presidenciais

“Marcelo está bastante mais maniatado do que parece”

Ângela Silva, jornalista do Expresso, analisa os candidatos à Presidência da República.

A pouco mais de um mês das eleições Presidenciais, e ainda antes da campanha oficial ter começado, os candidatos já se atacam. Ana Gomes afirmou que o Chega não devia ter sido legalizado, Marisa Matias e João Ferreira lutam por um lugar à esquerda e Marcelo avança isolado nas sondagens. Ângela Silva, jornalista do Expresso, analisa os vários candidatos.

A jornalista lembra que, “a partir do momento em que o Chega está legalizado, as pessoas que votaram no Chega têm de ser tratados exatamente da mesma forma que são tratados os eleitores de todos os outros partidos”. Em causa estão as declarações de Marcelo que admitiu viabilizar um partido de direita que tenha acordo com o partido de André Ventura.

“Eu acho que o que o Marcelo, de certa forma, quis dizer foi se queriam travar o Chega deviam ter atuado a montante”, acrescenta Ângela Silva.

Já à esquerda, o cenário pós-geringonça poderá abrir uma “disputa acesa” entre Marisa Matias e João Ferreira, uma vez que tanto o Bloco de Esquerda como o PCP “têm de perceber melhor o que é que cada um vale e têm de segurar ou recuperar os seus respetivos eleitorados”. Em comum a todos os candidatos estarão as críticas ao atual presidente, que, quando a campanha começar, “vai ter a vida mais difícil”.

Os segundos mandatos da Presidência

Uma sondagem do ICS/ISCTE conclui que 46% dos portugueses querem um Presidente com uma intervenção “semelhante” à de Marcelo Rebelo de Sousa, 48% pedem “mais” nos próximos cinco anos. No anúncio da candidatura, o Chefe de Estado garantiu ser o mesmo que se candidatou há cinco anos, mas a história mostra que os segundos mandatos são diferentes.

“Nos segundos mandatos os presidentes são mais interventivos. Agora Marcelo Rebelo de Sousa tem um estilo próximo. Eu não imagino Marcelo Rebelo de Sousa a fazer oposição ao Governo. Ele disse que não é um candidato de fação, eu acho que ele não é um político que vai entrar em guerra aberta com o primeiro-ministro”, comenta Ângela Silva.

A jornalista do Expresso sublinha que “Marcelo está bastante mais maniatado do que parece” e que não tem ajuda da direita para poder intervir.

“Nós compreendemos que o eleitorado queria muitas vezes que ele fosse mais existente com o Governo de António Costa, sobretudo o eleitorado de direita. Esse eleitorado está frustrado, sente que o presidente não o ajuda. Mas quem está mais frustrado do que o esse eleitorado de direita é o próprio presidente que sente que não tem uma direita que o ajude a ele”, afirma.

Sobre o SEF, Ângela Silva reconhece as semelhanças entre o discurso do Chefe de Estado para o Eduardo Cabrita agora e o que Marcelo disse aquando da demissão de Constança Urbano de Sousa, em outubro de 2017, mas lembra que o Presidente “não pode demitir ministros”. “Pode sinalizar que acha que eles já não tem condições”, acrescenta.